O senador Camilo Santana (PT-CE) assumiu, nesta quarta-feira (8), a liderança da bancada do PT no Senado e definiu como uma de suas principais missões políticas atuar para reduzir a tensão entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.
Logo após ser oficializado no cargo, Camilo afirmou que trabalhará para reconstruir o diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Camilo assume a nova missão em Brasília, mas manterá, como principal foco, a reeleição do Governador Elmano de Freitas.
REUNIÃO ENTRE LULA E ALCOLUMBRE
Segundo o senador, a expectativa é de que os dois líderes se encontrem ainda neste mês para destravar pautas consideradas prioritárias pelo governo.
“Vamos trabalhar para que a gente possa, de uma vez por todas, distensionar e superar essa relação entre os dois presidentes. A gente tem pautas importantes no Senado. O fim da escala 6×1 é uma delas”, afirmou Camilo.
ORIGEM DO CONFLITO
O desgaste entre o Executivo e Alcolumbre se intensificou após o Senado rejeitar, no fim de abril, a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, aliados do governo defendem uma reaproximação entre Lula e o presidente do Senado para garantir o avanço da agenda legislativa.
Camilo disse acreditar que o diálogo acontecerá em breve. “Tudo para se resolver precisa dialogar, conversar. Acho que em breve os dois irão conversar, distensionar e destravar várias pautas importantes. Em breve, ainda em julho. Quem sabe esta semana. Todos estão trabalhando”, declarou.
PRIMEIRA MISSÃO
O senador cearense ressaltou que essa será sua “primeira missão” à frente da bancada petista. Ele substitui a senadora Teresa Leitão (PT-PE), que assumiu a liderança do governo no Senado. Além da nova função, Camilo também passará a presidir a Comissão de Educação da Casa.
Ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação, Camilo destacou que mantém uma boa relação com Davi Alcolumbre e defendeu a construção de um ambiente de entendimento entre os Poderes.
“Vou procurar contribuir, ajudar a senadora Teresa Leitão, para que a gente possa, primeiro, distensionar essa relação do Executivo com o Senado Federal. Precisamos sempre dialogar, independentemente das diferenças. A democracia é isso. E respeitar também os cargos. Meu pedido a todos é para evitar qualquer tipo de tensionamento.”
TENSÃO E FIM DA ESCALA 6 X 1
As declarações ocorrem um dia após o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmar que Alcolumbre seria considerado um “inimigo dos trabalhadores” caso não encaminhasse para tramitação a proposta que extingue a escala de trabalho 6×1. A fala provocou reação imediata do presidente do Senado, que afirmou não aceitar “ameaças ou tentativas de intimidação”.
Apesar do ambiente de tensão, Camilo demonstrou otimismo em relação à tramitação da proposta que reduz a jornada semanal de trabalho. Na avaliação do novo líder do PT, o projeto pode ser aprovado antes das eleições de 2026, desde que haja diálogo e entendimento entre o governo e o Congresso.
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