A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, de determinar o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, abriu uma nova frente de preocupação entre os coordenadores da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Flávio visita, hoje, Fortaleza e chega ao Ceará preparado para responde questionamentos sobre a decisão do ministro do STF que atinge diretamente o presidência nacional do PL.
As informações de bastidores apontam que integrantes da campanha avaliam que a investigação surge em um momento delicado, quando o partido busca consolidar alianças, organizar os palanques estaduais e concentrar o debate na candidatura presidencial de Flávio. A avaliação é de que o caso pode desviar o foco da agenda eleitoral e recolocar o PL no centro das notícias por questões judiciais.
Dirigentes da legenda reconhecem reservadamente que o partido já vinha administrando desgastes provocados pela crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que deixou a presidência do PL Mulher, além dos questionamentos envolvendo a relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Na visão de aliados, a decisão contra Valdemar amplia esse cenário de pressão.
A preocupação também decorre do papel estratégico desempenhado por Valdemar Costa Neto. Como presidente nacional do PL, ele conduz as negociações para formação de alianças, participa da montagem dos palanques estaduais e coordena a estratégia política da campanha presidencial. Nesta semana, por exemplo, reuniu-se com dirigentes do Podemos e do Republicanos para discutir apoios ao projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro.
Apesar do impacto político, a orientação dentro do PL é manter o planejamento da pré-campanha. A prioridade será concentrar a reação na defesa jurídica de Valdemar, evitando mudanças na estratégia eleitoral.
Na decisão, Flávio Dino afirmou que há “múltiplos indícios” de que Valdemar atuava na indicação e no redirecionamento de emendas parlamentares, mesmo sem exercer mandato. Com base em mensagens, planilhas e outros elementos reunidos pela Polícia Federal, o ministro entendeu haver indícios de um esquema paralelo para a distribuição de recursos públicos, razão pela qual determinou o bloqueio cautelar dos bens do dirigente do PL.
Até o momento, nem a Polícia Federal nem o STF divulgaram a relação dos municípios beneficiados pelas emendas investigadas, nem informaram se há recursos destinados a municípios do Ceará entre os valores sob apuração.
