Embora a maioria das brasileiras manifeste preferência pelo parto normal no início da gestação, fatores como a falta de informações durante o pré-natal, o acesso limitado à analgesia e aspectos da organização dos serviços de saúde contribuem para que muitas acabem passando por cesarianas sem indicação clínica.
As conclusões fazem parte de um estudo divulgado nesta segunda-feira (13/7) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que investigou as barreiras enfrentada por gestantes na escolha da via de nascimento.
Intitulada “Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes“, a pesquisa concluiu que a decisão sobre o tipo de parto não depende apenas da vontade da mulher, mas também de fatores sociais, familiares e estruturais.
Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) citados no levantamento, sete em cada dez brasileiras preferem o parto normal no início da gravidez, apesar de a cesariana ser a forma de nascimento mais predominante no país,
A pesquisa apontou também que a baixa participação dos parceiros no pré-natal pode contribuir para escolhas baseadas em insegurança ou desconhecimento sobre o trabalho de parto, favorecendo a preferência pela cesariana.
Entre os fatores estruturais, o levantamento destacou a oferta insuficiente de analgesia para o parto normal, o que leva parte das mulheres a enxergar a cirurgia como a única alternativa para evitar a dor.
No setor privado, a pesquisa identificou ainda fatores institucionais e econômicos que podem favorecer a realização de cesarianas. Entre eles estão:
- A previsibilidade do agendamento cirúrgico;
- A organização da rotina médica;
- Custos envolvidos na manutenção de equipes disponíveis durante longos períodos de trabalho de parto.
