O Brasil aparece entre os países com maior apoio à acolhida de pessoas refugiadas, mesmo em um cenário global marcado por conflitos, pressões migratórias e debates cada vez mais polarizados sobre imigração. Uma pesquisa internacional realizada pela Ipsos em parceria com a Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (Acnur), divulgada na última terça-feira (14/7), revela que a maioria dos brasileiros defende que pessoas que fogem de guerras e perseguições tenham acesso ao país e acredita que elas conseguem se integrar com sucesso à sociedade.
O levantamento mostra que 61% dos brasileiros apoiam a manutenção das fronteiras abertas para quem busca proteção internacional, o maior percentual entre os 29 países pesquisados. O Brasil também lidera o ranking de confiança na integração de refugiados, reforçando uma percepção positiva sobre a contribuição dessa população para o desenvolvimento econômico e social.
Os resultados contrastam com um cenário internacional em que cresce a preocupação com políticas migratórias, controle de fronteiras e funcionamento dos sistemas de asilo. Ainda assim, o apoio ao direito de buscar refúgio permanece elevado: 66% dos entrevistados nos 29 países afirmaram que pessoas que fogem de guerras ou perseguições devem poder buscar proteção em outro país — índice praticamente estável em relação ao ano anterior.Play Video
No Brasil, a percepção sobre os refugiados também se diferencia da média internacional quando o assunto é a motivação para os pedidos de proteção. Enquanto 61% dos entrevistados no conjunto dos países acreditam que muitas pessoas buscam refúgio por razões econômicas ou para acessar benefícios sociais, entre os brasileiros esse índice cai para 49%, um dos menores registrados na pesquisa.
Para o Acnur, os resultados demonstram que, mesmo diante do aumento dos deslocamentos forçados e da crescente politização do tema, o princípio de proteção internacional continua contando com respaldo da população. “É encorajador que o apoio à proteção a refugiados permaneça sólido”, afirmou Dominique Hyde, diretora de Relações Externas do Acnur.
O levantamento também identificou diferenças entre gerações. Jovens da Geração Z demonstraram maior confiança na integração de refugiados e menor apoio ao fechamento de fronteiras em comparação com os Baby Boomers. Entre os mais jovens, 49% acreditam que refugiados conseguem se integrar com sucesso à sociedade, contra 39% entre os entrevistados mais velhos
Outro dado apontado pela pesquisa é o aumento da expectativa de que governos, organizações internacionais e entidades da sociedade civil dividam a responsabilidade pela proteção de refugiados. No Brasil, 25% dos entrevistados defendem maior participação do governo nessa tarefa, percentual superior à média global.
A pesquisa foi realizada entre 24 de abril e 8 de maio de 2026 com 21.521 adultos em 29 países. No Brasil, foram ouvidas mil pessoas. Os resultados representam a média dos países pesquisados e não constituem uma estimativa global ponderada pela população.
