Exame de sangue pode prever sintomas do Alzheimer anos antes, aponta estudo

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Um novo tipo de exame de sangue pode conseguir prever o início dos sintomas de Alzheimer anos antes por meio de material genético, segundo um estudo publicado na Nature Medicine, no início de julho.

Na pesquisa, financiada pelo NIH (Institutos Nacionais de Saúde dos EUA), pesquisadores demonstraram que níveis elevados de certos RNAs circulares (circRNAs) no sangue quase triplicaram o risco de os pacientes desenvolverem sintomas.

Essa mudança sugere que essas moléculas são mais sensíveis ao início da manifestação clínica do que os biomarcadores tradicionais da doença, possibilitando a criação de um exame mais eficaz no diagnóstico precoce e previsão de sintomas.

Entenda o exame

De acordo com o NIH, os exames de sangue realizados atualmente para diagnosticar o Alzheimer são confiáveis, já que detectam marcadores de placas amiloides, uma característica marcante da doença.

Esses testes podem apresentar resultados positivos até décadas antes do comprometimento cognitivo causado pela doença, porém, não conseguem informar sobre como a possível progressão da doença.

Ao contrário das placas amiloides, usadas atualmente, que se acumulam lentamente no cérebro, os circRNAs são mais dinâmicos e refletem a atividade cerebral mais recente.

A nova pesquisa revela bases para elaborar um tipo de exame que poderia, potencialmente, prever o início dos sintomas do Alzheimer.

Para descobrir se essas moléculas tinham potencial clínico, eles precisavam verificar se essas associações se mantinham nos circRNAs que circulam no sangue, um tecido muito mais acessível. Assim, analisaram dados sanguíneos de mais de 1.200 pessoas de múltiplos grupos de estudo independentes, encontrando um conjunto de 34 circRNAs associados ao Alzheimer.

Os modelos de previsão baseados nessas associações identificaram com sucesso indivíduos com a patologia de Alzheimer, com desempenho semelhante ao de modelos baseados nos dados da proteína pTau217, principal biomarcador sanguíneo utilizado clinicamente para a doença. Apesar de semelhantes, o novo modelo de circRNA superou o modelo da pTau217.

Os 34 circRNAs encontrados são preditores mais fortes da progressão do paciente para o Alzheimer sintomático, com experimentos adicionais mostrando que seus níveis parecem se desviar do normal (prevendo sintomas) cerca de dois a quatro anos antes do início início real dos sintomas.

Os resultados podem ser essenciais para que os médicos identifiquem candidatos para novos tratamentos, mas também podem ajudar a monitorar sua resposta terapêutica, especialmente no caso de medicamentos que têm como alvo as placas amiloides.