Tarifaço de Trump amplia desgaste de Flávio Bolsonaro; maioria responsabiliza senador pela crise comercial, aponta Quaest

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Os movimentos políticos do pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, em busca de aproximação com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passaram a cobrar um preço elevado em sua pré-campanha. Em meio à repercussão negativa do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira, mostra que a maioria dos brasileiros atribui ao senador a responsabilidade pela crise comercial entre os dois países.

Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados concordam com a versão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que Flávio Bolsonaro pediu sanções ao Brasil, enquanto 30% concordam com a versão apresentada pelo senador. Em junho, Lula tinha 47% nesse quesito e Flávio, 35%, indicando um avanço da narrativa do governo e um recuo da posição defendida pelo pré-candidato do PL.

A pesquisa também mediu quem convence mais os brasileiros sobre as razões do tarifaço. Para 49%, Lula tem razão ao afirmar que as tarifas representam uma reação dos Estados Unidos às disputas envolvendo o Pix. Já 33% concordam com Flávio Bolsonaro, que atribui a medida às declarações do presidente brasileiro contra os Estados Unidos.

O desgaste ocorre justamente após a intensa movimentação internacional de Flávio Bolsonaro. Neste mês, o senador discursou em Washington contra o tarifaço e em defesa do Pix, numa tentativa de reduzir os impactos políticos da crise. Em maio, havia sido recebido por Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, em agenda articulada por aliados ligados ao secretário de Estado Marco Rubio, com participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do influenciador Paulo Figueiredo.

Apesar da agenda internacional, a pesquisa mostra que 57% dos brasileiros sequer souberam da viagem de Flávio aos Estados Unidos. Entre os que acompanharam o episódio, 58% acreditam que o senador não tem força para convencer Trump a rever as tarifas, enquanto apenas 34% avaliam que ele pode influenciar o governo norte-americano.

O levantamento revela ainda que o desgaste alcançou até mesmo setores tradicionalmente alinhados ao bolsonarismo. Entre os eleitores da direita bolsonarista, o percentual dos que concordam com os argumentos de Flávio caiu de 75% para 67%, indicando perda de apoio dentro da própria base política.

Enquanto isso, o governo Lula intensificou as críticas aos adversários, classificando integrantes do grupo bolsonarista como “falsos patriotas” por, segundo o Planalto, defenderem medidas prejudiciais ao Brasil. Flávio reagiu afirmando que Lula “não tem mais condições de governar o País”, atribuindo ao presidente responsabilidade pelo agravamento da crise diplomática.

A pesquisa também mostra que o impacto econômico preocupa a população. Seis em cada dez brasileiros (63%) acreditam que o tarifaço prejudicará suas vidas e a de suas famílias, índice superior aos 55% registrados em junho, evidenciando o aumento da preocupação com os efeitos da decisão norte-americana.

Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026, a pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.