Após uma sequência de ataques de tubarão que voltou a preocupar moradores e turistas, o Governo de Pernambuco anunciou a retomada do monitoramento desses animais no litoral do estado, interrompido há mais de dez anos. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre o deslocamento dos tubarões e subsidiar ações de prevenção em áreas de maior risco.
O trabalho será desenvolvido pelo projeto Ecotuba, coordenado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e prevê a captura, marcação e acompanhamento dos tubarões por meio de telemetria acústica. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha, as primeiras saídas de campo devem ocorrer até o início de agosto, embora ainda dependam dos últimos ajustes na embarcação utilizada pela equipe.
A pesquisadora Danielle Viana, doutora em Oceanografia Biológica e integrante do projeto, explica que os animais receberão transmissores acústicos implantados no corpo. Os dispositivos emitem sinais a cada 90 segundos, captados por receptores instalados em pontos estratégicos do litoral.
Cada transmissor possui uma identificação exclusiva, permitindo aos pesquisadores registrar data, horário e local em que o tubarão passou, possibilitando o acompanhamento de seus deslocamentos ao longo da costa.
Apesar do avanço tecnológico, o sistema não permitirá o monitoramento em tempo real, nem a emissão imediata de alertas para banhistas. Segundo Danielle Viana, isso exigiria uma estrutura adicional de transmissão de dados na superfície, com custo estimado em cerca de R$ 100 mil por equipamento, valor que não está previsto no orçamento do projeto.
A pesquisadora também alerta que o sistema possui limitações naturais, já que apenas os tubarões marcados poderão ser monitorados. Animais sem transmissores continuarão circulando sem qualquer possibilidade de detecção.
Com investimento aproximado de R$ 1 milhão e duração prevista de 24 meses, o Ecotuba financiará a contratação da embarcação, aquisição de equipamentos e bolsas para pesquisadores. O projeto sucede o antigo Protuba, encerrado em 2014, que era coordenado pelo professor Fábio Hazin, falecido em 2021.
A retomada do monitoramento ocorre após um ano marcado por novos ataques. Em maio, um menino de 11 anos teve a perna esquerda amputada após ser atacado na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Em junho, uma jovem de 19 anos também perdeu uma perna depois de um ataque na praia de Boa Viagem, no Recife.
Com quatro ocorrências registradas apenas nos cinco primeiros meses de 2026, Pernambuco alcançou o maior número de incidentes com tubarões desde 2006, reforçando a necessidade de ampliar as ações de pesquisa, prevenção e conscientização no litoral do estado.
