PL oficializa Flávio Bolsonaro à Presidência no sábado, mas deixa escolha do vice em aberto

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O PL oficializará, neste sábado (25), durante convenção nacional em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República. A chapa, porém, deverá ser homologada sem a definição do nome que ocupará a vice-presidência.

A decisão reflete dois impasses enfrentados pela campanha: as negociações ainda inconclusas com o Republicanos e a falta de consenso dentro do próprio PL sobre o perfil ideal para completar a chapa.

— A princípio, não será anunciada — afirmou o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), ao ser questionado sobre a escolha do vice.

A estratégia é manter a vaga aberta após a convenção e concluir a composição até 5 de agosto, prazo final das convenções partidárias. A ata poderá autorizar a Executiva Nacional do PL a definir posteriormente o nome, preservando espaço para novas alianças.

Republicanos condiciona acordo a alianças estaduais

Nos bastidores, o Republicanos é apontado como o principal partido ainda capaz de integrar formalmente a chapa presidencial. A legenda, contudo, condiciona o acordo nacional à solução de impasses em estados considerados estratégicos.

Até agora, o entendimento mais avançado está no Espírito Santo, onde o PL apoiará a candidatura do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini.

Entre os nomes mais cotados para vice está a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e atualmente filiada ao Republicanos. Ela se aproximou de Flávio durante a pré-campanha e participa da elaboração de propostas econômicas e de ações voltadas às mulheres.

Na semana passada, Daniella participou de uma transmissão com o senador para apresentar medidas como vouchers para creches e linhas de microcrédito destinadas ao público feminino.

Nome de Daniella divide o PL

Apesar da proximidade com Flávio, Daniella enfrenta resistência dentro do próprio PL. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, reconheceu sua competência e boa imagem, mas afirmou que ela não teria força eleitoral suficiente para ampliar os votos da chapa.

— O problema dela é que não tem voto, mas tem uma imagem muito boa e é uma pessoa muito competente. Precisamos de voto, isso é que vai ser a guerra — declarou.

Valdemar defende a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como opção para a vice. Uma ala do partido considera que ela teria maior densidade eleitoral, enquanto outro grupo avalia que Daniella ajudaria Flávio a melhorar a relação com o mercado financeiro e a reduzir a rejeição entre as mulheres.

Também são citadas as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE). Essas alternativas, porém, perderam força diante da sinalização de que a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, poderá adotar posição de neutralidade na disputa presidencial.