A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22), elevando a preocupação entre exportadores e governos estaduais. Embora o pacote anunciado pelo governo norte-americano traga uma lista de exceções que beneficia itens importantes da pauta brasileira, como carne bovina e suco de laranja, segmentos industriais estratégicos permanecem sujeitos à sobretaxa, com reflexos diretos sobre a economia do Ceará.
Entre os setores mais afetados estão as indústrias de calçados, máquinas e produtos derivados da carnaúba. No caso da indústria calçadista cearense, a estimativa é de um impacto de aproximadamente R$ 56 milhões (US$ 11 milhões) em impostos adicionais apenas nos próximos seis meses sobre as exportações destinadas ao mercado americano.
TARIFA EXTRA
Na prática, os produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos passarão a pagar um imposto de importação de 25%, tornando-se mais caros para o consumidor americano e reduzindo sua competitividade em relação aos produtos fabricados nos próprios Estados Unidos ou em outros países.
Apesar disso, o governo americano incluiu uma extensa lista de exceções. Entidades empresariais calculam que cerca de 60% das exportações brasileiras para os EUA ficaram de fora da nova tributação. Já os produtos manufaturados, como máquinas e calçados, continuam sujeitos à cobrança adicional.
JUSTIFICATIVA PARA O TARIFAÇO
A decisão foi tomada após uma investigação conduzida durante um ano pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na chamada Seção 301 da legislação comercial americana. O governo dos EUA alegou a existência de práticas consideradas desleais que, segundo Washington, prejudicariam empresas norte-americanas.
Antes da nova medida, a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos era de 11,7%, segundo estimativas da Global Trade Alert. Com a entrada em vigor da nova sobretaxa de 25% — mesmo considerando as exceções — a carga média sobe para cerca de 18,2%, elevando significativamente o custo para os exportadores brasileiros.
