Brasil registra 741 vítimas de feminicídio no primeiro semestre de 2026; violência contra mulheres continua em nível alarmante

Foto: Reprodução

O Brasil registrou 741 vítimas de feminicídio entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em parceria com o Ministério das Mulheres. Embora o número represente uma queda de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 760 casos, a violência contra as mulheres continua em patamar preocupante em todo o País.

Ao longo do primeiro semestre, foram 19 feminicídios a menos na comparação com o ano passado. Junho registrou 108 mortes, o menor número mensal de 2026, enquanto o segundo trimestre apresentou desaceleração, com 341 casos, frente aos 400 registrados entre janeiro e março.

Apesar da redução nacional, o cenário permanece desigual. Nove estados registraram aumento no número de feminicídios, com destaque para Goiás, que apresentou crescimento de 113,6%. Também houve alta em Sergipe (71,4%), Amazonas (66,7%), Santa Catarina (33,3%), Paraná (17%), Amapá (16,7%), Rio Grande do Sul (13,9%), São Paulo (10,1%) e Rio Grande do Norte (10%).

Regionalmente, as maiores reduções ocorreram nas regiões Norte (-20%) e Nordeste (-19,9%), que contribuíram para a queda no índice nacional. Em contrapartida, os registros cresceram no Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

Além do balanço dos feminicídios, o Ministério da Justiça divulgou os resultados das duas etapas da Operação Integrada Mulher Segura, realizada em 2026 para fortalecer o combate à violência de gênero.

Na primeira fase, entre 19 de fevereiro e 5 de março, foram registradas 6.328 prisões, atendimento a 38.801 vítimas, acompanhamento de 30.388 medidas protetivas e mobilização de 40.097 policiais em 2.615 municípios.

Já a segunda etapa, realizada entre 1º de junho e 21 de julho, contabilizou 14.113 prisões, atendimento a 53.343 vítimas, monitoramento de 25.420 medidas protetivas e atuação de 58.833 agentes de segurança em 1.384 municípios.

Ao todo, as duas fases da operação resultaram em 20.441 prisões, sendo 16.131 em flagrante e 4.310 por cumprimento de mandados judiciais.

Casos recentes reforçam gravidade da violência

Mesmo com a redução nos indicadores nacionais, casos recentes evidenciam que o feminicídio continua fazendo vítimas em todo o país.

No Rio de Janeiro, a advogada Bárbara Damião Costa, de 41 anos, foi morta a tiros enquanto dirigia, em Campos dos Goytacazes. A Polícia Civil aponta o ex-companheiro da vítima como principal suspeito. Horas depois do crime, ele foi encontrado morto, em um aparente caso de suicídio.

Em Belo Horizonte, a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, morreu após sofrer graves agressões. O companheiro da vítima, um sargento da corporação, é investigado por feminicídio. Segundo a Polícia Civil, a gravidade das lesões indica que houve intenção deliberada de matar.

Os novos dados reforçam que, apesar da leve redução estatística, o feminicídio permanece como uma das formas mais graves de violência contra a mulher, exigindo ações permanentes de prevenção, proteção às vítimas e punição dos agressores.