A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acumulou mais um revés político. Pressionado pela queda nas pesquisas de intenção de voto e por uma sequência de desgastes nos últimos dias, o pré-candidato à Presidência foi informado pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, de que a legenda não integrará sua coligação. Como o PP faz parte da federação União Progressista, a decisão também deverá ser acompanhada pelo União Brasil, frustrando a estratégia do PL de ampliar sua aliança com partidos do Centrão.
A definição representa uma derrota importante para Flávio, que perde a possibilidade de ampliar o tempo de propaganda no rádio e na televisão e reduz as chances de construir uma frente mais ampla para a disputa presidencial.
Ao mesmo tempo em que vê o apoio político encolher, Flávio tem endurecido o discurso para se aproximar da base mais fiel do bolsonarismo. Nos últimos dias, o senador voltou a fazer críticas ao sistema eletrônico de votação, reproduzindo informações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de intensificar ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes.
A mudança de estratégia também inclui transmissões ao vivo em redes sociais, mobilização de apoiadores em aeroportos e uma retórica semelhante à adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante seu mandato.
Nos bastidores, dirigentes de União Brasil, PP e Republicanos avaliam que Flávio vem abandonando o perfil moderado apresentado no início da pré-campanha para adotar um discurso mais radicalizado, movimento que dificulta a aproximação com partidos de centro.
O Republicanos, que passou a ser o principal alvo das articulações do PL após a perda da União Progressista, também demonstra resistência. Interlocutores da legenda afirmam que as chances de uma aliança no primeiro turno diminuíram, sobretudo após o discurso de Flávio a diplomatas, no qual levantou suspeitas sobre o sistema eleitoral e defendeu a presença do maior número possível de observadores internacionais nas eleições.
A avaliação entre dirigentes do Centrão é que esse episódio reforçou dúvidas sobre a capacidade do senador de ampliar sua base política para além do eleitorado bolsonarista.
Na noite de terça-feira, dirigentes do PP se reuniram em Brasília com Ciro Nogueira e decidiram pela neutralidade na disputa presidencial. Com isso, os diretórios estaduais terão liberdade para apoiar candidatos diferentes em cada estado. Em São Paulo, por exemplo, o partido tende a apoiar Flávio Bolsonaro, enquanto na Paraíba a tendência é de alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo integrantes da cúpula do PP, resta apenas a formalização da decisão pelo União Brasil, cujo presidente, Antonio Rueda, já havia sinalizado a interlocutores que a neutralidade seria o caminho mais provável para a federação. A definição amplia os desafios de Flávio Bolsonaro para construir uma coalizão competitiva às vésperas do início oficial da campanha eleitoral.
