Emendas e obras pesam mais na escolha para o Senado; apoio de Lula supera em dobro o de Bolsonaro, aponta Quaest

A atuação do senador para garantir recursos e obras para o estado será o principal critério de escolha dos eleitores nas eleições de 2026. É o que revela a pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (10), mostrando que 31% dos brasileiros consideram mais importante eleger candidatos capazes de levar emendas parlamentares e investimentos para seus estados.

O levantamento também mostra que os candidatos identificados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm vantagem sobre os ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Enquanto 15% dos entrevistados afirmam que a indicação de Lula é um fator decisivo na escolha, apenas 8% apontam o apoio de Bolsonaro como atributo mais importante — praticamente a metade.

Na sequência dos critérios mais valorizados pelos eleitores aparecem:

  • Levar dinheiro e obras para o estado: 31%
  • Ser indicado por Lula: 15%
  • Defender o fim da escala de trabalho 6×1: 13%
  • Ser independente da polarização política: 12%
  • Defender o impeachment de ministros do STF: 11%
  • Ser indicado por Bolsonaro: 8%
  • Nenhuma dessas opções: 4%
  • Não sabe ou não respondeu: 6%

A pesquisa revela ainda diferenças regionais e de perfil do eleitorado. Em todas as regiões do país, a capacidade de levar recursos e obras foi o atributo mais citado, variando de 28% no Centro-Oeste/Norte a 41% na Região Sul.

No Nordeste, 26% dos entrevistados disseram considerar mais importante que o candidato seja apoiado pelo presidente Lula. Já no Sudeste, 14% apontaram como prioridade a independência em relação à polarização política.

Entre os homens, 17% disseram valorizar candidatos favoráveis ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), percentual que cai para 6% entre as mulheres. No eleitorado jovem, 22% apontaram como principal compromisso a defesa do fim da escala de trabalho 6×1.

A pesquisa também mostra diferenças entre os eleitores de Lula e Bolsonaro em 2022. Entre os bolsonaristas, 25% consideram prioritário que o senador apoie o impeachment de ministros do STF. Entre os eleitores de Lula, esse percentual é de apenas 2%.

Dois votos para o Senado

O levantamento identificou ainda que parte significativa do eleitorado desconhece as regras da eleição para o Senado. Em 2026, cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes, já que estarão em disputa 54 das 81 cadeiras da Casa, correspondentes a dois terços da composição do Senado.

Quando perguntados sobre quantos senadores poderão escolher neste ano, os entrevistados responderam:

  • Dois senadores: 34%
  • Um senador: 22%
  • Três senadores: 10%
  • Não sabem ou não responderam: 34%

A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.