Torturas em clínica de reabilitação: promotor revela detalhes do caso que levou casal à prisão

Marluci Bellini e o então marido Djalma Henares foram presos este mês na vila de Nordeste, em Açores, Portugal, após serem condenados a 17 anos de prisão no Brasil por crimes de tortura em uma clínica de reabilitação em Ribeirão Preto, São Paulo. Em entrevista ao G1, o promotor de Justiça Aroldo Costa Filho, que acompanha o caso desde o início das investigações, há mais de uma década, deu mais detalhes sobre as torturas a que foram submetidos os pacientes da clínica de reabilitação para dependentes químicos.

Tortura física e psicológica

Segundo Costa Filho, os internos da clínica eram submetidos as condições “degradantes”. As investigações sobre o caso tiveram início em agosto de 2014, após buscas nas dependências do local. Só naquele dia, 24 ex-internos foram identificados como vítimas.

Segundo a matéria do G1, os internos eram amarrados e jogados em galpões com o chão ensaboado; além disso, eram obrigados a tomarem remédios psiquiátricos sem prescrição médica.

“Eles até utilizavam uma expressão chamada ‘danoninho', falavam: ‘ele vai ter que tomar o danoninho', ‘eu tomei o danoninho', que era um medicamento em gotas que era colocado na água e eles eram obrigados a ingerir”, disse o promotor.

Já a tortura psicológica envolvia privação de sono: pacientes eram obrigados a ficarem olhando para árvores ao longo de várias horas — se dormissem, eram prontamente acordados.

Além de Marluci e Djalma, um monitor da clínica, Angelo, foi condenado. Ele é apontado como principal responsável pela execução das agressões físicas, que envolviam mata-leões, chutes e socos.

Prisão veio um mês após condenação definitiva

Depois de 14 anos de investigações e processo, Djalma e Marluci foram condenados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no início deste ano a mais de 17 anos de cadeia. Djalma foi preso no último dia 9, e Marluci nesta segunda-feira, 17.

Em junho, eles foram adicionados a Difusão Vermelha da Interpol, uma espécie de alerta global enviado para polícias de 196 países com o intuito de localizar e prender um foragido da Justiça.

“A resposta para a sociedade é muito boa. Demorou um pouco, mas a punição veio e veio com rigor”, disse Costa Filho.

Segundo o G1, o Ministério Publico de Ribeirão Preto vai pedir a extradição do ex-casal, para cumprirem pena no Brasil — em regime fechado.