Uma unidade de saúde da região das Terras Altas da Escócia foi obrigada a pedir desculpas à família de um paciente que morreu após ter o diagnóstico de câncer de pâncreas retardado por sucessivas oportunidades perdidas de investigação clínica. A decisão é do Scottish Public Services Ombudsman (SPSO), órgão responsável por fiscalizar os serviços públicos escoceses, que concluiu haver falhas no atendimento desde a primeira consulta.
De acordo com o relatório, o paciente, identificado apenas como “A”, procurou atendimento médico após apresentar perda de peso sem causa aparente. Na ocasião, recebeu diagnóstico de diabetes. Como os sintomas persistiram, ele chegou a questionar o médico sobre a possibilidade de estar com câncer de pâncreas.
Apesar do alerta feito pelo próprio paciente, ele não foi encaminhado imediatamente para uma investigação específica da doença. Em vez disso, foi direcionado para especialistas em problemas gastrointestinais. Somente após novos exames de sangue o câncer foi identificado. Cerca de seis semanas depois do diagnóstico, o paciente morreu.
Na avaliação do SPSO, houve uma “demora injustificável em reconhecer sintomas específicos” que indicavam a possibilidade de câncer de pâncreas. O órgão também criticou o atendimento prestado durante os cuidados paliativos, classificando como inadequada a assistência oferecida ao paciente no fim da vida.
Outro ponto destacado no relatório foi a dependência excessiva de consultas por telefone, considerada inadequada para acompanhar um caso que apresentava sinais de alerta para uma doença grave.
A investigação contou com a análise independente de um médico clínico-geral, que concluiu que as diretrizes médicas já recomendavam, desde o primeiro atendimento, o encaminhamento urgente para investigação oncológica.
“A partir desse momento até o encaminhamento urgente por suspeita de câncer, houve oportunidades perdidas para reconhecer a importância dos sintomas do paciente e encaminhá-lo para uma investigação mais aprofundada”, destacou o SPSO.
Um dos cânceres mais letais
O caso chama atenção para a importância do diagnóstico precoce do câncer de pâncreas, considerado um dos tumores mais agressivos. A doença apresenta a pior taxa de sobrevida entre os principais tipos de câncer, com apenas 13% dos pacientes vivos cinco anos após o diagnóstico.
A elevada mortalidade está associada principalmente à dificuldade de identificar a doença em seus estágios iniciais, à rápida evolução do tumor e às opções terapêuticas ainda limitadas.
Embora represente cerca de 1% dos casos de câncer, o tumor pancreático responde por aproximadamente 5% das mortes por câncer no Brasil.
Em todo o mundo, mais de 500 mil pessoas recebem esse diagnóstico todos os anos. Apesar de a taxa média de sobrevida em cinco anos ainda ser baixa, atualmente em torno de 12%, especialistas destacam que ela vem aumentando gradualmente graças aos avanços da pesquisa médica e ao desenvolvimento de novas formas de tratamento.
Entre os principais fatores de risco para o câncer de pâncreas estão tabagismo, obesidade, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e histórico familiar da doença, reforçando a importância da prevenção e da investigação rápida diante de sintomas persistentes, como perda de peso inexplicada, dores abdominais e alterações digestivas.