Quaest: desconfiança no STF sobe 10 pontos e chega a 56% em meio a embate entre Moraes e Mendonça

Foto: Agência Brasil

A desconfiança dos brasileiros em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) cresceu dez pontos percentuais desde agosto, segundo Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14). O movimento ocorre em meio à repercussão do embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.

De acordo com o levantamento, contratado pelo jornal O Globo e pela TV Globo, 56% dos entrevistados afirmam não confiar no STF. Outros 30% dizem confiar pouco na Corte e apenas 9% afirmam confiar muito. A pesquisa mostra, também, que, para 53% dos brasileiros, os mandatos do STF devem ter mandatos.

Na pesquisa de agosto, 46% diziam não confiar no Supremo. Naquele momento, 33% afirmavam confiar pouco e 18%, confiar muito.

Os números mostram, portanto, dois movimentos no período: enquanto a parcela dos que não confiam aumentou dez pontos, o percentual dos que dizem confiar muito caiu pela metade, de 18% para 9%.

MENDONÇA TEM MAIOR APOIO NO EMBATE

A Quaest também perguntou aos entrevistados sobre a divergência entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Segundo a pesquisa, 37% consideram que Mendonça é quem age corretamente no episódio, enquanto 16% apontam Moraes.

O pano de fundo da divergência entre os ministros envolve a condução das investigações relacionadas ao Banco Master, caso que ampliou o debate público sobre a atuação do Supremo.

O levantamento aponta ainda que os entrevistados avaliam que o caso atinge os Poderes da República, mas cresceu desde agosto a parcela dos que consideram o STF como o mais afetado pela crise.

DESCONFIANÇA CRESCE ENTRE LULISTAS E INDEPENDENTES

A piora na avaliação da Corte aparece em diferentes segmentos políticos, embora com intensidades distintas.

Entre os entrevistados identificados como lulistas, 30% dizem agora não confiar no Supremo, ante 27% em agosto. A mudança mais significativa nesse grupo ocorreu entre os que afirmam confiar muito na instituição: o percentual caiu de 41% para 23%.

Entre os independentes, o aumento da desconfiança foi ainda mais acentuado. O índice dos que afirmam não confiar no STF passou de 50% para 65% em apenas um mês.

Já entre os entrevistados identificados como bolsonaristas, a desconfiança continua elevada, mas apresentou movimento contrário: passou de 73% em agosto para 69% em setembro. Em março, esse percentual havia chegado a 83%.

Os resultados indicam que a deterioração recente da confiança no Supremo não está concentrada em apenas um campo político, embora os níveis de avaliação da Corte continuem bastante diferentes conforme o posicionamento dos entrevistados.

A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de setembro, em municípios de todo o país. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03607/2026