A propaganda eleitoral do segundo turno da eleição presidencial voltou ao rádio, nesta sexta-feira (9), expondo estratégias diferentes de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto Flávio reforçou o discurso de mudança e apresentou os apoios conquistados depois do primeiro turno, Lula destacou realizações de seu governo e alertou para possíveis impactos sociais de propostas atribuídas ao adversário.
Flávio abriu sua participação afirmando que “o Brasil está do lado da mudança” e procurou transformar o resultado do primeiro turno em argumento para a nova fase da campanha. O senador terminou a votação de domingo com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
“Não é uma nova campanha. É o passo final de uma mudança que já começou”, afirmou Flávio. “O Brasil não tá mais dividido. Tá todo mundo do mesmo lado. O Brasil tá do lado da mudança.”
A propaganda de Flávio também explorou a ampliação de seu arco de alianças. Foram exibidos trechos de manifestações de apoio dos ex-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). O programa também destacou Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo e aliado do candidato desde o primeiro turno.
Flávio voltou a defender o fim da reeleição e afirmou que não busca a Presidência por um “projeto de poder”, mas por um “projeto de país”.
Na área econômica, repetiu a promessa de promover um “tesouraço” em impostos e gastos públicos. A campanha, entretanto, ainda enfrenta questionamentos sobre quais despesas seriam atingidas por um eventual ajuste fiscal.
Flávio procurou rebater diretamente a ofensiva de Lula e afirmou que, caso seja eleito, pretende manter programas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular.
Na segurança pública, voltou a defender que PCC e Comando Vermelho sejam classificados como organizações terroristas e prometeu a construção de cinco grandes presídios no país.
CORTES EM PROGRAMAS SOCIAIS, ALERTA LULA
Do outro lado, Lula utilizou a estreia da propaganda para destacar políticas de sua administração e advertir o eleitor sobre o que sua campanha considera riscos de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
O programa petista associou o adversário à possibilidade de cortes em programas sociais, na educação e em políticas como o Farmácia Popular. As afirmações integram o discurso eleitoral de Lula e são contestadas pela campanha de Flávio.
“Qual é o mundo que você sonha? Quando você tiver esse mundo desenhado, escolha o candidato que você acredita que vai fazer isso e vote”, afirmou Lula.
O presidente também pediu cautela aos eleitores. “Só cuidado para não errar, porque uma avaliação errada custa muito caro”, disse, argumentando que sua trajetória já é conhecida pela população.
UMA NOVA ELEIÇÃO
Depois de terminar numericamente atrás de Flávio no primeiro turno, Lula afirmou encarar a segunda etapa como uma nova disputa.
“Sempre considerei que segundo turno é quase outra eleição. Estou querendo disputar esse segundo turno para ganhar”, declarou.
O presidente também concentrou sua mensagem na melhoria da renda e das condições de vida. “As pessoas querem trabalhar numa boa empresa e ganhar um bom salário. As pessoas desejam prosperar na vida, comer melhor, morar melhor, viajar melhor”, afirmou.
FIM DA ESCALA 6 X 1
A propaganda petista ainda destacou a defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho. O programa atacou a posição de Flávio sobre o tema e apresentou a proposta como mais uma diferença entre os dois projetos para o país.