Brasil registra uma morte por doenças cardiovasculares a cada 72 segundos

Uma pessoa morre a cada 72 segundos no Brasil em decorrência de doenças cardiovasculares. O dado faz parte de uma análise da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), apresentada nesta sexta-feira (9), que aponta uma média de 1.194 mortes por dia, o equivalente a aproximadamente 50 óbitos por hora.

De acordo com a entidade, até as 11h do dia 8 de outubro, o país havia registrado 334.898 mortes por essas doenças em 2026. O número é contabilizado pelo Cardiômetro, ferramenta da SBC que passa a integrar o novo Hub de Doenças Cardiovasculares, plataforma lançada em parceria com a World Heart Federation (WHF).

A apresentação ocorreu durante a abertura do 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro em conjunto com o Congresso Mundial de Cardiologia. A plataforma reúne informações epidemiológicas sobre as principais doenças cardiovasculares no país.

COMO FUNCIONA A PLATAFORMA

O Hub reúne dados de mortalidade do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e estimativas epidemiológicas do estudo Global Burden of Disease (GBD) 2023. Para calcular as taxas de mortalidade com base nos registros do SIM, também são utilizadas estimativas populacionais disponibilizadas pelo DataSUS, com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os recursos disponíveis estão séries históricas de mortalidade referentes ao período de 2000 a 2024, além de projeções para os próximos anos. Segundo as estimativas, o número de mortes por doenças cardiovasculares no Brasil pode crescer 10,8% até 2030, passando de 417.550 óbitos registrados em 2024 para 462.573 projetados para o fim do período.

Os dados reforçam a importância de medidas de prevenção e controle dos fatores de risco, como hipertensão arterial e diabetes. A redução do tabagismo, o combate à obesidade e ao sedentarismo e o atendimento rápido em casos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) também são apontados como ações importantes para reduzir a mortalidade.

Apesar das projeções, a taxa de mortalidade padronizada por idade apresentou queda nas últimas décadas. Em 2024, o indicador ficou em 195 óbitos por 100 mil habitantes, uma redução de 36% em relação aos anos 2000, quando a taxa era de 306,4 mortes por 100 mil habitantes.