Uma pessoa morre a cada 72 segundos por doença cardiovascular no Brasil. São, em média, 1.194 mortes por dia, ou aproximadamente 50 por hora, segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs), o país ainda enfrenta dificuldades para controlar fatores de risco que poderiam evitar parte significativa dessas mortes.
Somente em 2026, o Brasil já contabilizava 334.898 óbitos por doenças cardiovasculares até às 11 horas da última quinta-feira, dia 9. A tendência preocupa: projeções da SBC indicam que, se o comportamento das últimas duas décadas for mantido, o número anual de mortes poderá crescer 10,8% até 2030, passando de 417.550 óbitos, em 2024, para 462.573 no fim da década.
O cenário convive com um dado positivo. Em aproximadamente 20 anos, a taxa de mortalidade cardiovascular padronizada por idade caiu 36%, passando de 306,4 para 195 mortes por 100 mil habitantes.
Segundo o cardiologista Luiz Aparecido Bortolotto, do Instituto do Coração (InCor), parte dessa melhora está relacionada à identificação e ao tratamento mais rápidos de infartos e AVCs em unidades de pronto atendimento e serviços de emergência.
O especialista, porém, chama atenção para um problema ainda longe de ser resolvido: a prevenção.
“Infelizmente, a prevenção com o controle dos principais fatores de risco não é adequada e está longe do ideal”, afirmou.
Entre os fatores que mais aumentam o risco cardiovascular estão hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e estresse.
A SBC destaca que o aumento projetado das mortes não é inevitável. A ampliação do acesso ao diagnóstico, ao tratamento e às políticas de prevenção pode alterar esse cenário nos próximos anos.
O cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, coordenador da nova plataforma de dados da entidade, ressalta que as projeções representam cenários prováveis e podem mudar conforme a evolução dos fatores de risco e a qualidade da assistência oferecida à população.
Desigualdade entre os estados
Os dados também mostram diferenças importantes entre as regiões do país. Alagoas apresenta a maior taxa de mortalidade cardiovascular, com 245,5 óbitos por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Amapá, com 225,1, e Mato Grosso do Sul, com 220,4.
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Outro alerta é que muitas dessas condições evoluem silenciosamente. A ausência de sintomas, segundo os cardiologistas, não significa ausência de risco.
“Mesmo sem sentir nada, a pessoa pode estar sob risco. Por isso, hábitos de vida saudável e consultas regulares são o melhor início de uma boa prevenção”, afirmou Bortolotto.
Prevenção pode salvar vidas
Entre as principais medidas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia estão o controle da pressão arterial, diabetes e colesterol, abandono do cigarro, combate à obesidade e ao sedentarismo, alimentação equilibrada, acompanhamento médico regular e atendimento rápido diante de sintomas de infarto ou AVC.
Os números foram apresentados durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro em conjunto com o Congresso Mundial de Cardiologia.
Na ocasião, a SBC lançou o Hub de Doenças Cardiovasculares, plataforma que reúne dados sobre mortalidade, incidência, prevalência e fatores de risco em todo o Brasil.
O alerta dos especialistas é claro: tratar melhor infartos e AVCs tem salvado vidas, mas reduzir de forma consistente a mortalidade cardiovascular dependerá, sobretudo, de impedir que essas doenças cheguem aos estágios mais graves.