Após apoiar fim da escala 6×1, Flávio sinaliza a empresários que PEC poderá ser revista em eventual governo

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O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, indicou a interlocutores do setor empresarial que a PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 poderá ser revista pelo Congresso em um eventual governo, caso a redução da jornada produza impactos considerados negativos sobre emprego, custos empresariais ou atividade econômica.

A sinalização ocorreu depois de Flávio anunciar publicamente, na terça-feira, voto favorável à proposta, após meses de críticas e de defesa de um modelo alternativo, com maior flexibilidade nas jornadas. A PEC esta na pauta de votação desta quarta-feira (14) do Senado.

Horas após anunciar apoio à PEC, o senador participou, em São Paulo, de encontro com representantes da indústria, comércio, serviços e agronegócio. Segundo interlocutores, em conversas reservadas, Flávio afirmou que pretende acompanhar de perto os efeitos da implementação das novas regras.

A avaliação dentro da equipe do candidato é de que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, poderá exigir adaptações específicas para setores com funcionamento contínuo, trabalho aos fins de semana ou escalas diferenciadas.

Por isso, assessores econômicos discutem a possibilidade de, no futuro, encaminhar ao Congresso projetos voltados a categorias específicas caso sejam identificadas dificuldades na aplicação das novas regras.

A discussão, porém, ainda está em fase inicial. Não há definição sobre quais setores poderiam ser alcançados nem sobre quais alterações seriam propostas.

EMPRESÁRIOS COBRAM AJUSTES

A mudança de posição de Flávio também provocou uma série de contatos de empresários com o senador.

Segundo interlocutores, representantes do setor produtivo disseram compreender o apoio à PEC diante do ambiente político, mas alertaram para possíveis custos adicionais às empresas e defenderam que qualquer mudança na jornada seja acompanhada de medidas capazes de preservar competitividade, emprego e formalização.

Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que o voto favorável à PEC não impediria uma discussão posterior no Congresso sobre eventuais ajustes, caso ele seja eleito.

A preocupação é maior em segmentos que dependem de operação permanente e escalas de trabalho aos fins de semana.

ENCONTRO COM O SETOR PRODUTIVO

Flávio participou do Grande Encontro do Associativismo, realizado no Clube Monte Líbano, em São Paulo, onde conversou com lideranças empresariais.

Entre os participantes estavam Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp); Tirso Meirelles, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp); e Alfredo Cotait Neto, da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).

Também participou do encontro Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e porta-voz econômica da campanha de Flávio.