Camilo acusa Flávio de “brincar com o País”, o chama de “biruta” e de oportunista ao mudar posição sobre fim da escala 6×1

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O senador Camilo Santana fez duras críticas ao senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, durante o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Camilo acusou o adversário de Luiz Inácio Lula da Silva de mudar de posição conforme o ambiente político e classificou a nova postura de Flávio sobre o tema como “oportunismo”.

“Está brincando com o País. É impressionante. Parece que ele não sabe o que quer para o País. Nós estamos falando de uma nação”, afirmou.

Camilo comparou Flávio a uma “biruta”, dizendo que o candidato muda de posição de acordo com o vento político.

“Uma hora ele quer uma coisa, outra hora fala outra coisa. Parece uma biruta: quando o vento parte para um lado, ele vai para aquele lado; quando parte para o outro, ele vai para o outro lado”, declarou.

O senador lembrou que Flávio havia se colocado contra o fim da escala 6×1 e defendia um modelo baseado na negociação direta entre patrão e trabalhador, com pagamento por hora trabalhada.

Camilo reconheceu que considera positiva a mudança de voto do candidato do PL, mas afirmou que a população precisa conhecer o histórico da posição anterior.

“Eu fico feliz porque ele mudou de voto. Mas é preciso que a população brasileira saiba que o Flávio Bolsonaro era contra o fim da escala 6×1”, disse.

Segundo Camilo, a mudança de posição às vésperas da eleição caracteriza oportunismo político.

“Isso se chama oportunismo”, afirmou.

O senador também relacionou o debate trabalhista ao plano econômico apresentado por Flávio, que prevê um ajuste fiscal da ordem de R$ 250 bilhões.

Na avaliação de Camilo, um corte dessa magnitude poderia atingir programas sociais, educação, saúde e políticas de valorização do salário mínimo.

Ao relembrar o período em que governou o Ceará durante a gestão de Jair Bolsonaro, Camilo afirmou que o Estado não recebeu recursos federais para obras de escolas e criticou a falta de reajustes na alimentação escolar.

“Quatro anos eu não recebi um centavo do governo Bolsonaro. O governo Bolsonaro passou quatro anos sem dar reajuste na merenda escolar das escolas públicas deste País”, declarou.

Camilo também retomou críticas à condução da pandemia e às políticas educacionais do governo anterior.

O senador lembrou ainda que, quando assumiu o Ministério da Educação no governo Lula, encontrou, segundo ele, cerca de 5,8 mil obras paralisadas ou inacabadas em todo o País.

Para Camilo, a política de ajuste defendida por Flávio poderia significar cortes em programas como Farmácia Popular, Mais Médicos, universidades federais e políticas de ganho real do salário mínimo.

“O tesouraço dele é cortar da Farmácia Popular. É tirar o ganho real do salário mínimo. É cortar das universidades e da educação”, acusou.

Camilo encerrou o discurso afirmando que o Brasil continua marcado por fortes desigualdades e que a melhoria das condições de vida dos trabalhadores precisa permanecer no centro do debate político.