A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14) mostra que o eleitorado brasileiro apoia propostas defendidas tanto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pelo candidato do PL, Flávio Bolsonaro. O levantamento revela amplo apoio à proibição das bets e ao fim da escala 6×1, bandeiras associadas à campanha de Lula, mas também registra maioria favorável à redução da maioridade penal e à abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), temas defendidos por Flávio.
Entre as propostas de maior aprovação está a proibição das bets, apostas e cassinos on-line. Segundo a Quaest, 72% consideram a medida positiva: 64% já conheciam e aprovavam a ideia, enquanto 8% não a conheciam, mas disseram considerá-la boa.
O fim da escala 6×1 e a limitação da jornada a 40 horas semanais também recebem apoio de 68% dos entrevistados. Desse total, 61% já conheciam e aprovavam a proposta e 7% disseram não conhecê-la, mas considerá-la uma boa ideia. Outros 25% manifestaram algum grau de rejeição, enquanto 7% não souberam responder.
Outra proposta de forte aprovação é a política de aumento real do salário mínimo, acima da inflação todos os anos. Somados os que já aprovavam e os que passaram a considerar a ideia positiva após conhecê-la, o apoio chega a 88%.
A proposta de zerar impostos sobre produtos da cesta básica a partir de 2027 alcança 80% de avaliação positiva.
BANDEIRAS DE FLÁVIO TAMBÉM TÊM APOIO
Entre as propostas defendidas pelo candidato do PL, a maior aprovação aparece na redução da maioridade penal. Oitenta por cento dos entrevistados apoiam a redução para 16 anos e para 14 anos em casos de estupro: 61% já conheciam e aprovavam a ideia e outros 19% disseram considerá-la positiva após serem informados sobre ela.
A possibilidade de abrir processo de impeachment contra ministros do STF também recebe apoio majoritário: 63%. Desse grupo, 44% já conheciam e aprovavam a proposta e 19% passaram a avaliá-la positivamente após conhecê-la.
Já a proposta de considerar facções criminosas e milícias como organizações terroristas soma 58% de avaliações favoráveis.
A flexibilização da CLT, permitindo jornada negociada diretamente com a empresa e pagamento por hora trabalhada, divide mais o eleitorado. Pelos números apresentados pela pesquisa, 49% demonstram avaliação positiva, contra 41% que rejeitam a ideia e 10% que não responderam.
ANISTIA ENFRENTA MAIOR REJEIÇÃO
O cenário muda quando a pergunta trata da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Segundo a Quaest, 47% rejeitam a proposta: 29% já conheciam e desaprovavam a medida e outros 18% não a conheciam, mas disseram que ela não parece uma boa ideia.
Do outro lado, 38% manifestam apoio à anistia, enquanto 15% não souberam ou não responderam.
A proposta de acabar com a reeleição e estabelecer mandatos de cinco anos também divide os entrevistados: 44% demonstram avaliação positiva e 47% negativa.
Já a criação de mandato de dez a 12 anos para ministros do STF tem 54% de avaliações negativas, contra 30% de opiniões favoráveis.
PESQUISA NA RETA FINAL
A Quaest ouviu 2.154 eleitores entre os dias 10 e 13 de outubro. O levantamento foi contratado por O Globo e pela TV Globo, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-08729/2026.