O senador Cid Gomes (PSB-CE) afirmou, nesta terça-feira (20), que a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno foi uma surpresa para os aliados do petista e atribuiu o resultado, principalmente, ao movimento de voto útil entre eleitores de direita.
Cid disse que as pesquisas indicavam Lula na frente, mas a apuração mostrou Flávio com vantagem de aproximadamente dois pontos percentuais.
“O Lula teve uma surpresa, ou nós que apoiamos o Lula tivemos uma surpresa, porque a pesquisa dava o Lula na frente e, quando apurou os votos, o Bolsonaro saiu na frente, com uma diferença de dois pontos”, afirmou.
Segundo Cid, o resultado pode ser explicado pela migração, na reta final, de eleitores que inicialmente apoiavam outros candidatos identificados com a direita.
“A meu juízo, isso é completamente explicável porque aconteceu o que os bolsonaristas estavam trabalhando, que era o voto útil”, disse.
Na avaliação do senador, parte dos eleitores teria abandonado candidaturas com menor desempenho nas pesquisas para concentrar votos em Flávio Bolsonaro.
Cid citou como exemplo eleitores que inicialmente apoiavam nomes como Ronaldo Caiado e outros candidatos do campo conservador.
CID QUESTIONA O USO DO TERMO ‘DIREITA’
Durante a entrevista, Cid também fez uma reflexão sobre o significado político de direita e esquerda no Brasil.
Na avaliação dele, o conceito de direita está mais relacionado à posição econômica e à defesa da manutenção da estrutura de distribuição de renda do que a temas comportamentais.
“Direita é defender o status quo, é defender os ricos, é defender, numa situação como a do Brasil, a concentração de renda, não mexer em nada, deixar como está”, afirmou.
Cid criticou a associação automática entre posições sobre aborto, direitos LGBTQIA+ e outros temas de comportamento com a definição econômica de direita.
“Eu sou contra o aborto, então eu sou de direita. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Isso é ser conservador”, declarou.
Segundo o senador, conservadorismo social e posicionamento econômico são dimensões diferentes da política.
“Isso, para mim, é uma questão de foro íntimo. Eu respeito a opinião de todo mundo. Nós temos que cuidar de economia”, afirmou.
Cid sustentou ainda que, na sua visão, o debate econômico deveria estar mais concentrado em temas como desigualdade, distribuição de renda, oportunidades e redução da pobreza.
CRÍTICAS AO COMPORTAMENTO POLÍTICO
O senador também criticou pessoas de baixa ou média renda que, segundo ele, se identificam com posições econômicas favoráveis à manutenção da concentração de renda.
Em tom duro, Cid afirmou que considera importante que a política seja orientada por valores como solidariedade e preocupação com a desigualdade.
“A gente deve se condoer da dor dos outros. Nós somos seres pensantes, temos sentimento, ajudamos, colaboramos e devemos procurar construir um mundo menos desigual”, afirmou.
Para Cid Gomes, a disputa presidencial não envolve apenas nomes ou partidos, mas também diferentes visões sobre economia, distribuição de renda e papel do Estado.
Acompanhe a entrevista na íntegra:
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