Lula condiciona debate na Globo à quebra dos sigilos de Flávio Bolsonaro e afirma que não pode debater com ladrão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condicionou sua participação no debate da TV Globo, na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, à autorização do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.

O recado sobre a participação no debate foi dado, nessa terça-feira, em Juazeiro, na Bahia, e, ao discursar, Lula afirmou que só enfrentará o adversário se ele apresentar um documento autorizando a abertura das informações.

“Se ele apresentar um documento autorizando a quebrar o sigilo, vai ter debate, porque senão ele não pode ir ao debate, porque o presidente da República não pode debater com ladrão”, declarou Lula, ao encerrar o discurso.

A cobrança foi um dos principais temas do ato político, que reuniu apoiadores da Bahia e de Petrolina, em Pernambuco. Durante a mobilização, militantes entoaram palavras de ordem como “Abre o sigilo, Flávio” e “Se tá tudo certo, mostra o que há”.

A declaração de Lula ganhou mais repercussão após a defesa do presidente protocolar, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do próprio petista e de seus familiares, referentes aos últimos oito anos.

A iniciativa está condicionada à adoção da mesma medida por Flávio Bolsonaro, que tem até esta quarta-feira (21) para responder à proposta.

O embate sobre a abertura dos sigilos ganhou força após o debate presidencial realizado pela Band, no último domingo (18), quando os dois candidatos trocaram acusações e questionamentos sobre corrupção e patrimônio familiar.

Na ocasião, Flávio Bolsonaro mencionou suspeitas envolvendo um dos filhos do presidente, enquanto Lula cobrou explicações sobre a origem dos recursos utilizados pelo senador na compra de um imóvel.

O presidente também citou uma suposta negociação de R$ 134 milhões relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula atribuiu o pedido ao senador Flávio Bolsonaro, em negociações com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. As referências foram apresentadas pelo petista durante o confronto eleitoral.