Na tentativa de reduzir a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial, a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou, nesta reta final, a divulgação da atuação do senador como advogado de um policial militar acusado pela morte de Ana Clara, de 5 anos, no Rio de Janeiro.
O caso também volta ao centro das atenções nesta sexta-feira, com uma manifestação de movimentos sociais em Brasília. Os participantes cobram do Judiciário o julgamento do processo e defendem que a morte da criança não fique impune.
No horário eleitoral gratuito exibido na televisão, a campanha de Lula voltou a destacar que Flávio atuou na defesa do policial militar Bruno Dias Dellaroli, apontado no processo como acusado pelo crime.
A propaganda apresentou ainda um depoimento da mãe de Ana Clara e imagens do vídeo “Revelando: O Julgamento que Nunca Aconteceu – O Caso Ana Clara”, com participação da atriz Camila Pitanga e disponível no YouTube.
CASO FOI ENCAMINHADO AO TRIBUNAL DO JÚRI
Após a prisão do policial, a medida foi posteriormente revogada, com imposição de cautelares.
A Justiça decidiu que o acusado deveria ser submetido a júri popular.
Em 2024, Flávio Bolsonaro passou a integrar a defesa de Dellaroli e assinou pedido para tentar reverter o encaminhamento do processo ao Tribunal do Júri.
O pedido foi negado.
Até agora, porém, o policial não foi julgado. Segundo as informações apresentadas, o julgamento está marcado para 2027.
É importante registrar que Dellaroli é acusado no processo e ainda não foi condenado, razão pela qual não deve ser tratado como culpado antes do julgamento definitivo.
CAMILO APRESENTA PROJETO NO SENADO
O caso também ganhou repercussão no Congresso Nacional.
O senador Camilo Santana (PT-CE), líder do PT no Senado e integrante da coordenação da campanha de Lula, apresentou um projeto de lei para impedir que parlamentares exerçam advocacia em processos relacionados a crimes contra a vida.
Segundo a justificativa apresentada pelo parlamentar, a proposta busca evitar possíveis conflitos entre o exercício do mandato legislativo e a atuação profissional em processos criminais dessa natureza.