As urnas falaram: é tempo de respeitar o resultado e a vontade popular

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O Brasil encerra as eleições de 2026 com uma demonstração inequívoca da força da participação popular. Milhões de brasileiros foram às urnas, escolheram o novo presidente da República e, por meio do voto, exerceram o mais importante instrumento de uma democracia.

Os números extraídos das urnas devem ser respeitados por todos. O presidente Lula está legitimado para o 4º mandato, ao receber, neste domingo (25), 51,78% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 48,22%. A diferença é de quase 5 milhões de votos.

O presidente Lula venceu e recebe das urnas a responsabilidade de governar o País pela quarta vez. Flávio, que não conseguiu a vitória, tem o direito à frustração, à oposição, à crítica e à fiscalização, mas também o dever democrático de reconhecer a vontade manifestada pela maioria dos eleitores dentro das regras estabelecidas para a disputa.

Louve-se, também, o entusiasmo dos brasileiros dos dois lados da eleição.

Durante semanas, milhões de pessoas foram às ruas, participaram de caminhadas, carreatas, manifestações e atos públicos em diferentes regiões do País. Defenderam suas convicções, levantaram bandeiras, discutiram ideias e acreditaram nas propostas apresentadas pelos candidatos.

Essa participação, mesmo em um ambiente de forte divergência, é parte da vitalidade democrática.

Encerrada a votação, entretanto, adversários não precisam se transformar em inimigos. Uma eleição escolhe governos, não deveria dividir famílias, amizades, ambientes de trabalho ou comunidades. O Brasil precisa reaprender a conviver com as diferenças.

SEGURANÇA E RAPIDEZ DAS URNAS

Outro aspecto que merece registro é a estrutura do sistema eleitoral brasileiro.

A agilidade na votação e na totalização dos votos demonstra como democracia e tecnologia podem caminhar juntas. Em poucas horas, milhões de votos são processados e a sociedade passa a conhecer o resultado de uma eleição realizada em um País de dimensões continentais.

A confiança no processo eleitoral não elimina o direito à fiscalização. Ao contrário: fiscalização, transparência e aperfeiçoamento permanente fortalecem o sistema.

Questionamentos devem existir quando fundamentados. O que não contribui para a democracia é a tentativa de deslegitimar previamente o voto popular apenas porque o resultado não corresponde à expectativa de determinado grupo político.

A ELEIÇÃO MAIS DIGITAL

As eleições de 2026 deixam ainda outra marca: foram, provavelmente, as mais digitais da história política brasileira.

Nunca a internet, as redes sociais, os aplicativos de mensagens e os canais de comunicação direta tiveram tanta influência sobre a circulação de informações, a mobilização de eleitores e o ritmo das campanhas.

Essa transformação ampliou a participação política, permitiu comunicação direta entre candidatos e cidadãos e deu voz a milhões de pessoas.

Mas trouxe também enormes desafios.

O mesmo ambiente capaz de democratizar a informação pode ser utilizado para espalhar conteúdos falsos, manipulações, ataques e estratégias coordenadas destinadas a confundir o eleitor.

Essa realidade exige do Tribunal Superior Eleitoral, das plataformas digitais e dos demais órgãos responsáveis fiscalização permanente, transparência e respostas rápidas, sempre conciliando o combate aos abusos com a preservação da liberdade de expressão.

Esse talvez seja um dos maiores desafios das próximas eleições: encontrar o equilíbrio entre uma internet livre e um ambiente político em que a desinformação não tenha licença para substituir os fatos.

AGORA, AS PROMESSAS

Passada a campanha, desaparecem os palanques e começa uma etapa muito mais difícil. Chegou o momento de transformar promessas em ações.

Durante meses, candidatos percorreram o País, apresentaram projetos, assumiram compromissos, prometeram melhorias na saúde, educação, segurança, emprego, renda, infraestrutura e proteção social.

Essas propostas foram ouvidas, avaliadas e assimiladas pelos eleitores.

A eleição terminou. A democracia continua. A democracia ainda mais fortalecida.

E, a partir de agora, o Brasil precisa trocar o barulho das campanhas pelo trabalho, a intolerância pelo diálogo e a disputa eleitoral pela responsabilidade de construir soluções para os problemas reais da população.

É hora de pacificação, reunificação, bom senso e sem polarização.