Ceará está entre os estados alvos de operação contra esquema milionário de bets ilegais

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Uma operação policial investiga um esquema suspeito de movimentar aproximadamente R$ 739 milhões por meio de apostas ilegais e lavagem de dinheiro. A ação cumpre mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, Ceará, São Paulo, Goiás, Paraná e Rio Grande do Norte.

Deflagrada na manhã desta quinta-feira (5), a Operação Azzardo é conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor). O nome da operação faz referência à expressão italiana gioco d’azzardo, que significa jogo de azar.

Ao todo, cerca de 200 policiais civis participam da operação. A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em contas e bens dos investigados. No Distrito Federal, são cumpridos 24 mandados de busca e apreensão, enquanto outros 26 são executados no Rio Grande do Norte, além das diligências nos demais estados.

A apuração também envolve uma fintech de São Paulo, autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto. As cobranças por Pix dos sites investigados levavam a inúmeras contas de empresas de fachada mantidas nessa instituição financeira. Em 30 de julho desse ano, o Banco Central manifestou intenção de cancelar a autorização de funcionamento.

Como funcionava o esquema

As investigações tiveram início há aproximadamente cinco meses, depois que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda identificou plataformas de apostas que funcionavam sem autorização federal.

Durante as apurações, os investigadores descobriram que os valores depositados pelos apostadores por meio do Pix eram transferidos para empresas que declaravam atividades comerciais sem relação com jogos de azar.

Entre os estabelecimentos identificados estavam uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas localizadas em Sobradinho, no Distrito Federal. As empresas seriam utilizadas para receber e concentrar os pagamentos, além de redistribuir os recursos, dificultando o rastreamento da origem e do destino do dinheiro.

A investigação também identificou dezenas de outras empresas suspeitas de integrar a estrutura financeira do esquema. Em um único endereço de Ceilândia, por exemplo, dez empresas utilizavam o mesmo número de telefone.

Bloqueio bilionário de bens e contas

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 empresas investigadas. O valor total das restrições patrimoniais pode chegar a R$ 3,483 bilhões.

Durante a operação, os policiais também buscam apreender computadores, celulares, mídias eletrônicas e carteiras de criptoativos. O material deverá auxiliar na identificação dos verdadeiros responsáveis pelas plataformas digitais e na dimensão dos possíveis prejuízos provocados aos apostadores.

Os investigados poderão responder por diversos crimes. Somadas, as penas previstas variam de 11 anos e seis meses a 31 anos de prisão, podendo alcançar 33 anos quando houver falsidade ideológica praticada em documento público.