A rejeição dos brasileiros ao projeto de lei que trata da anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro ficou evidente em pesquisa Pulso Brasil/Ipespe divulgada nesta semana.
Segundo o levantamento, 46% dos entrevistados disseram ser contra a proposta. Outros 28% afirmaram apoiar a anistia geral, enquanto 18% defendem uma anistia parcial, com redução de pena apenas para os que tiveram menor envolvimento. Já 8% não responderam.
DEBATE MAIS INTENSO
O debate ganhou intensidade após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, decisão que reforçou a mobilização de partidos de oposição e do centrão em favor da proposta.
O projeto é encampado por legendas como PL, Republicanos, PP, União Brasil e PSD, que juntos somam quase 300 votos na Câmara.
No entanto, diante da rejeição popular e para tentar agradar setores governistas, o relator do projeto, deputado Paulinho da Força (SD-SP), mudou de estratégia. Ele substituiu a ideia de uma anistia ampla por um texto que trata da “dosimetria”, ou seja, da redução de penas para os condenados, preservando as punições, mas diminuindo seu impacto.
BUSCA DE CONSENSO
A manobra busca construir consenso e evitar o desgaste de votar uma proposta que perdoaria integralmente os responsáveis pelos atos antidemocráticos. Ainda assim, aliados de Bolsonaro resistem, por entenderem que a mudança não reverte a inelegibilidade do ex-presidente.
A pesquisa Pulso Brasil/Ipespe ouviu 2.500 pessoas em todo o país, entre os dias 19 e 22 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Os dados mostram que, apesar da pressão política no Congresso, a proposta não encontra respaldo majoritário entre os brasileiros. Para a população, anistiar ou reduzir penas de quem atacou a democracia é abrir caminho para a impunidade.
