Anvisa amplia indicação de medicamento para tratamento do câncer de mama

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a indicação terapêutica do medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), já registrado no Brasil, para tratamento do câncer de mama.

A medicação, de acordo com a Anvisa, também poderá ser utilizada no tratamento auxiliar de pacientes adultos com câncer de mama HER2-positivo (IHC3+ ou ISH+) que apresentam doença invasiva residual após terapia com trastuzumabe, com ou sem pertuzumabe, em associação à quimioterapia baseada em taxanos.

A nova indicação se baseou em estudo que evidenciou a redução de 53% no risco de recorrência invasiva ou morte com o uso de Enhertu. A taxa de redução foi consistente em diferentes subgrupos e acompanhada por melhora significativa na sobrevida livre da doença.

A medicação Enhertu e o receptor HER2

A Anvisa explica que o medicamento Enhertu é um conjugado anticorpo–droga direcionado ao receptor HER2, administrado por via intravenosa, que combina um anticorpo monoclonal anti-HER2 a um potente agente citotóxico (que causa danos ou morte das células), permitindo a entrega seletiva do medicamento às células do tumor.

Câncer de mama: 10% a 19% têm tumor mais agressivo

No Brasil, são registrados cerca de mais de 70 mil novos casos por ano, sendo o câncer de mama a principal causa de mortalidade por câncer na população feminina nacional.

Ainda conforme a Anvisa, entre 10% e 19% dos casos apresentam superexpressão do HER2, subtipo associado a maior agressividade e pior prognóstico, com parte significativa das pacientes portadoras não atingindo resposta patológica completa.

Essas mulheres permanecem com doença residual e alto risco de recorrência mesmo com o uso de terapias modernas usadas antes da cirurgia para retirada do tumor. Estima-se que até 25% desses pacientes apresentam recidiva da doença em até 10 anos.