Quando o lutador de jiu-jítsu Lucas Portela Fontana Gomes apertou seu pescoço com um golpe de “mata-leão”, uma das mulheres agredidas por ele em um condomínio na Tijuca, na Zona Norte do Rio, achou que não sairia viva. Ela havia descido para verificar os gritos que vinham do prédio quando foi surpreendida pelo vizinho, que, segundo seu relato, ameaçava matar os moradores. Os ataques ocorreram na madrugada de quinta-feira, quando Lucas invadiu o apartamento de uma idosa de 81 anos e agrediu outra moradora, de 40. Levado à delegacia e inicialmente liberado, o lutador voltou a ser preso na sexta-feira. Ontem, a Justiça manteve sua prisão durante audiência de custódia. Em entrevistas à GloboNews, uma das vítimas e um parente descreveram a violência dos ataques e as marcas físicas e emocionais das agressões.
— Quando cheguei lá e ele me viu, já partiu para a agressão, sem perguntar nada, sem fazer nada. Quando ele tentou me dar um mata-leão, quase desmaiei. Foi aí que clamei por Deus e pensei: meu Deus, será que vou morrer? — contou a mulher de 40 anos, que não foi identificada por questões de segurança.
Na entrevista, ela contou que estava dormindo quando ouviu gritos de crianças, adolescentes e adultos no condomínio. Como estava sozinha em casa, decidiu descer para descobrir o que acontecia. Ao chegar à área comum, encontrou moradores assustados. Uma família relatou que um homem havia invadido seu apartamento e ameaçado matar todos. Uma idosa teria permanecido no imóvel.
— As crianças estavam pedindo pela avó. Eu falei: “Calma, vou ver o que posso fazer”. Fui tentar ajudar. Quando ele me viu, já partiu para a agressão, sem perguntar nada — relembrou.
Segundo a vítima, Lucas ordenou que ela se ajoelhasse antes de começar a espancá-la. Como não obedeceu, passou a receber socos, principalmente na cabeça.
— Eu não imaginava que iria me atacar daquela forma porque eu não fiz nada. Ele começou mandando eu ajoelhar para me agredir. Eu pensei que ele estivesse de brincadeira, mas não. Eu não ajoelhei e ele começou a me espancar.
A violência foi registrada por uma câmera de segurança do elevador. As imagens mostram o lutador desferindo cerca de 30 golpes em aproximadamente três minutos, entre socos, cotoveladas e tapas, além de tentar estrangulamentos. A vítima tentou se proteger com os braços, mas não conseguiu.
— Ele só dizia que ia matar todo mundo. Falava que ia matar todo mundo do prédio. Ele só dava soco na minha cabeça. Eu usei o braço para me proteger e ele também atingiu o meu braço.
A moradora afirmou que nunca havia tido contato com Lucas antes e acredita que a violência foi direcionada às mulheres.
— O problema dele é com mulher, não sei o porquê, mas ele só agrediu as mulheres. Mas ele tinha ódio, muito ódio.
Em outro momento, descreveu a sensação de sufocamento provocada pelo golpe de estrangulamento.
— Quando ele tentou me dar um mata-leão, eu quase desmaiei, mas consegui reagir. Foi aí que clamei por Deus. Pensei: “Meu Deus, será que eu vou morrer?”. Eu estava ficando sufocada.
Socorrida pelos bombeiros e levada ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, ela sofreu uma fratura em um osso do rosto e pode precisar de cirurgia. Mesmo depois da alta hospitalarl na sexta-feira, ela ainda sente dores e precisará refazer exames.
Além das consequências físicas, a vítima teme encontrar novamente o agressor no condomínio. Para ela, o sofrimento psicológico é ainda mais difícil de superar.
— Apesar das dores do corpo, eu acho que a dor da alma é pior.
‘Por milagre’
A idosa mencionada pela moradora tem de 81 anos e vive há 53 anos no condomínio. Aposentada da Embratel, ela mora sozinha e sofreu traumatismo craniano e sangramento intracraniano após ser espancada dentro do apartamento. O irmão, Jorge da Rocha Santos, contou à GloboNews que a idosa perdeu a consciência durante os socos e não se lembra de nada até a chegada do socorro.
— Ela está chocada. Não compreendendo como pôde ser agredida por um vizinho que ela sempre tratou bem. E, de repente, essa pessoa arromba a porta do apartamento, parte para cima dela, soca, soca, soca. E ela perde a consciência — relatou.
Morador de Petrópolis, Jorge soube do ataque por uma ligação da síndica, na madrugada de quinta-feira. Ao chegar ao hospital, encontrou a irmã com hematomas nos dois olhos, dores pelo corpo e ânsia de vômito.
Com informação do Jornal Extra