Apesar de 55,5% da população ser negra, apenas 14% da magistratura no Brasil é formada por pessoas negras

Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

O Censo Demográfico de 2022 do IBGE revelou que 55,5% da população brasileira se declara preta ou parda, confirmando que a maioria do país é negra. No entanto, essa representatividade está longe de refletir a composição da Justiça brasileira. Um levantamento do Painel de Monitoramento Justiça Racial, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostra que o Judiciário conta hoje com 302.901 profissionais, entre servidores e magistrados.

Desse total, apenas 81.264 pessoas se identificam como negras — número que inclui 78.564 servidores e apenas 2.700 magistrados. Isso significa que apenas 14% dos juízes do Brasil são negros, revelando um abismo entre a realidade demográfica e a presença nos cargos de maior poder decisório. Especialistas apontam que essa desigualdade afeta diretamente a construção de uma Justiça mais diversa, representativa e sensível às questões raciais.

 A baixa presença de juízes negros também reflete obstáculos históricos no acesso à educação, aos concursos públicos e às oportunidades de progressão profissional. Movimentos de juristas negros e organizações da sociedade civil defendem ações afirmativas, programas de inclusão e políticas estruturais capazes de transformar o cenário. Para o CNJ, ampliar a diversidade no Judiciário é condição fundamental para fortalecer a democracia e garantir decisões mais plurais e alinhadas à realidade da população.