O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), com dados de 2023, aponta que cerca de 10,8 milhões de pessoas a partir de 14 anos utilizam plataformas de apostas virtuais de forma arriscada ou problemática. Segundo especialistas, o vício em jogos virtuais, as chamadas “bets”, que podem ou não ser esportivas, já é considerado problema de saúde pública e tem Classificação Internacional de Doenças (CID): Transtorno do Jogo.
O mesmo estudo mostra que os grupos mais vulneráveis são pessoas de menor renda e adolescentes que, em tese, nem poderiam acessar jogos virtuais de aposta segundo a lei brasileira. Entre os que apostaram no último ano, 55% dos menores de 18 anos apresentaram comportamento de dependência, enquanto na população adulta esse índice é de 39%. No recorte por faixa econômica, 53% de quem ganha até um salário mínimo joga de forma problemática.
Os homens são os que mais apostam, de acordo com o estudo. Eles correspondem a 64,8% dos apostadores, enquanto as mulheres, 35,2%.
Sinais de alerta
Especialistas alertam que, muitas vezes, o apostador com transtorno do jogo tem dificuldade de se identificar como alguém dependente que precisa de ajuda. Muitos só buscam auxílio quando chegam a extremos levados pelo vício. O estudo mostra que as pessoas manifestam fisicamente insônia, grau de ansiedade altíssimo e episódios depressivos.
O prejuízo financeiro também leva a uma bola de neve que gera mais ansiedade, vergonha e sentimentos de culpa. Começa uma fase de dissimulação junto à família e amigos para encobrir os desfalques financeiros gerados pelas apostas.
