Articulações familiares, ponderações e pressão política destravam prisão domiciliar de Bolsonaro

Foto: Gabriela Biló/Folhapress

A concessão de prisão domiciliar por 90 dias ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi resultado de uma intensa movimentação de bastidores que envolveu familiares, aliados políticos e interlocuções diretas com a Corte.

Internado desde o dia 13 de março no hospital DF Star, em Brasília, Bolsonaro apresentou um quadro clínico delicado, com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana, o que ampliou a pressão por uma medida humanitária. A situação de saúde passou a ser o principal argumento utilizado nas articulações para garantir a transferência do ex-presidente para casa.

ARTICULAÇÃO DE TARCÍSIO

O senador Flávio Bolsonaro e o advogado Paulo Cunha Bueno estiveram com o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, para reforçar o pedido. Paralelamente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também tratou do tema em conversas com ministros do STF, ampliando o peso político da demanda.

A ofensiva ganhou força com a atuação direta da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que levou ao Supremo relatos sobre a necessidade de acompanhamento contínuo do ex-presidente, especialmente durante o sono, diante do risco de complicações clínicas.

INTERNAÇÃO

Diante de argumentos e ponderações, Moraes solicitou informações atualizadas ao hospital, em processo sigiloso, e recebeu relatórios médicos que confirmaram a gravidade do quadro, consolidando o cenário que embasou a decisão.

Com a autorização, Bolsonaro cumprirá a domiciliar em sua residência, sob condições restritivas. O ministro determinou limitação de visitas por 90 dias, com exceção de familiares próximos, advogados e equipe médica, para garantir um ambiente controlado e reduzir riscos de infecção.