Assembleia Legislativa aprova manifesto de repúdio ao tarifaço e em defesa da economia do Ceará

Foto: Júnior Pio

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALECE) aprovou, nesta terça-feira (5), com 31 votos favoráveis, um manifesto de repúdio ao tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump e em defesa da economia do Ceará.

As tarifas chegam a 50% sobre produtos exportados para os Estados Unidos e atingem diretamente os setores de pescado, castanha de caju e calçados. O documento foi apresentado pelo presidente da Mesa Diretora, Romeu Aldigueri (PSB).

Repúdio

O texto repudia a ordem executiva que oficializa a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Quase 45% dos produtos exportados pelo Ceará em 2024 tiveram como destino os Estados Unidos, com destaque para os produtos de aço, pescados, calçados e frutas.

Manifesto

“Em respeito a todos os cearenses, repudio a unilateralidade do Governo dos EUA, cujo resultado será de perda de empregos, desmonte de cadeias produtivas e desconstrução de setores que demoraram anos para montar a logística necessária a fim de estruturar suas operações.

O Estado do Ceará tem surpreendido o Brasil com convergências que construíram a melhor educação pública do País, além de um turismo competitivo, uma infraestrutura cuja evolução é inegável, um debate democrático civilizado, uma integração entre poder público e iniciativa privada pautada no republicanismo, o surgimento de líderes nacionais e outros frutos que somente podem nascer em terras que priorizam a vontade coletiva em detrimento da pessoal.

Atitudes que se refletem em um mercado saudável e pujante, agregador e voltado para nossas necessidades de crescimento só são possíveis em ambiente de paz, inclusive comercial. Porém, o Brasil, exímio e inquestionável defensor do multilateralismo, é penalizado por um tarifaço em virtude do voluntarismo do presidente americano, que, motivado por razões incompreensíveis, sanciona o País, atingindo de forma cruel um estado pobre que luta há décadas para entregar o melhor para seu povo.

Relações diplomáticas devem ser fundamentadas em diálogo e técnica. Jamais na chantagem e opressão. O Ceará é parte de uma nação lutadora, de uma brava gente, com separação entre poderes, com história de superação, e não baixará a cabeça jamais para a injustiça, o autoritarismo e os ataques a sua soberania e sua gente.

Portanto, somo minhas forças ao Estado, à União, ao setor produtivo e a diversas instituições, para defender os setores mais atingidos, a exemplo de pescados, castanhas de caju, água de coco, cera de carnaúba, couros e calçados, para encontrar soluções. Porque não aceitamos ameaças. Nunca”.