Avanço científico traz nova esperança contra o câncer de pâncreas

Foto: Reprodução

Cientistas de uma Universidade, na Alemanha, em parceria com colegas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, descobriram como tumores no pâncreas conseguem crescer rapidamente sem resposta do sistema imunológico. Eles identificaram um mecanismo usado pelas células cancerígenas para se esconder das defesas naturais do corpo. Quando essa estratégia foi bloqueada, os cânceres diminuíram drasticamente em animais usados nos testes.

Os pesquisadores estudaram uma proteína chamada MYC, bastante conhecida entre cientistas da área. “Em muitos tipos de tumores, esse fator é um dos principais responsáveis pela divisão celular e, portanto, pelo crescimento tumoral descontrolado”, explica Martin Eilers, da Universidade de Würzburg. Segundo ele, o que ainda não se sabia era como cânceres com muita atividade dessa proteína conseguiam passar despercebidos pelo sistema imunológico.

A equipe descobriu que isso acontece porque a proteína MYC tem duas funções diferentes. Além de seu papel já conhecido, de se ligar ao DNA e ativar genes que estimulam o crescimento das células, ela muda de comportamento quando a estrutura está sob estresse. Em tumores que crescem rápido e vivem em um ambiente desorganizado, o MYC deixa de se acoplar ao DNA e passa a se conectar ao RNA, uma molécula relacionada à produção de proteínas.

Quando o MYC se liga ao RNA, várias dessas proteínas se juntam e formam aglomerados, chamados de multímeros. Essas estruturas funcionam como pontos de concentração, reunindo outras proteínas em um mesmo local dentro da célula. 

É nesse ponto que o MYC ajuda o tumor a se esconder. Ao organizar a destruição desses híbridos de RNA-DNA com a ajuda do exossomo, o MYC elimina os sinais de alerta antes que o sistema imunológico possa percebê-los. Sem esses avisos, a defesa do corpo não é ativada, e o tumor continua invisível para as células de contra-ataque.

Informações – Correio Braziliense