Mesmo com o endurecimento da legislação e o enquadramento do feminicídio como crime hediondo, os números da violência contra a mulher seguem em trajetória alarmante no Brasil.
O crescimento dos casos acende um sinal de alerta sobre a efetividade das políticas públicas e a capacidade do Estado de proteger mulheres em situação de risco.
AVANÇOS E LENTIDÃO
Em comentário no Jornal Alerta Geral, o jornalista Luzenor de Oliveira reconhece os avanços promovidos pelo Legislativo, que nos últimos anos aprovou leis mais rigorosas, ampliou penas e criou novos mecanismos legais de proteção. No entanto, ele ressalta que a resposta do Estado não pode se limitar à letra da lei.
Segundo Luzenor, há uma fragilidade evidente nas políticas públicas conduzidas pelo Executivo, especialmente nas áreas de prevenção, acolhimento e acompanhamento das vítimas. Ele também aponta a lentidão do Judiciário como um fator decisivo para a perpetuação da violência, destacando a demora na concessão de medidas protetivas e na decretação da prisão de agressores reincidentes ou já condenados.
FALHAS
“A lei avançou, mas o sistema como um todo ainda falha. Muitas mulheres continuam expostas porque as medidas não chegam a tempo”, avalia Luzenor de Oliveira, que comanda o Jornal Alerta Geral,?a partir da FM 104.3 – Expresso Fortaleza, para 28 emissoras de rádio no Interior. O Jornal Alerta Geral, com imagens e ao vivo, ganha força com transmissão pelas redes sociais do cearaagora.
Luzenor defende que a punição aos agressores deve ser exemplar e ampla, alcançando não apenas a violência física, mas também as agressões econômicas, financeiras, sociais e psicológicas, que frequentemente antecedem crimes mais graves. Para ele, o combate ao feminicídio exige uma resposta integrada do Estado, com atuação firme da polícia, rapidez do Judiciário e políticas públicas permanentes.
EDUCAÇÃO
Outro ponto destacado é a educação. Luzenor chama atenção para a necessidade de crianças e adolescentes receberem, dentro de casa e na escola, formação baseada no respeito às mulheres e na igualdade de gênero. “Sem educação e mudança cultural, continuaremos enxugando gelo”, alerta.
Os números reforçam a gravidade do cenário. Dados do Ministério da Justiça indicam que o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, o equivalente a quatro mulheres assassinadas por dia, o maior número desde a tipificação do crime, em 2015. Desde então, já são mais de 13 mil vítimas em todo o país, evidenciando que, apesar das leis mais duras, a violência de gênero segue como um dos maiores desafios sociais do Brasil.
