A música brasileira e, em especial, o axé music estão de luto. Morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, o cantor baiano Netinho, um dos nomes mais marcantes do gênero e responsável por sucessos que atravessaram gerações, como “Milla” e “Beijo na Boca”.
O artista estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, desde o fim de setembro, após a recidiva de um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que atinge o sistema linfático. A doença havia sido diagnosticada em 2025.
Netinho tornou público o diagnóstico em março daquele ano, depois de ser hospitalizado com fortes dores nas pernas. Ele interrompeu a agenda de shows e iniciou o tratamento, compartilhando parte da rotina médica com os fãs pelas redes sociais.
Em 2026, anunciou que a doença havia retornado e que precisaria retomar as sessões de quimioterapia.
DO RECÔNCAVO BAIANO PARA O BRASIL
Nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, em 12 de julho de 1966, Netinho mudou-se ainda criança para Salvador. Começou a se interessar por música na adolescência e ganhou o primeiro violão aos 14 anos.
Aos 16, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador, ao mesmo tempo em que começava a construir sua trajetória nos palcos.
Em 1988, ganhou projeção como vocalista da Banda Beijo, durante o Carnaval de Salvador. No mesmo período, alcançou repercussão nacional com “Beijo na Boca” e, posteriormente, emplacou músicas como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa”.
A carreira solo teve início em 1993. Três anos depois, veio o maior sucesso de sua trajetória: “Milla”, lançada em 1996. A canção se tornou um dos grandes símbolos do axé music dos anos 1990 e projetou Netinho também para apresentações internacionais.
Além dos palcos, o cantor investiu em produção fonográfica, abriu estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro e criou um selo voltado ao lançamento de novos artistas baianos.
PROBLEMAS DE SAÚDE E AFASTAMENTO DOS PALCOS
A carreira de Netinho também foi marcada por períodos de afastamento em razão de problemas de saúde.
Em 2013, ele sofreu três acidentes vasculares cerebrais e precisou interromper temporariamente as apresentações. Foram quatro anos longe do Carnaval de Salvador antes de retomar a atividade artística.
Netinho também teve uma breve passagem pela política. Em 2022, disputou uma vaga de deputado federal pelo PL, mas não foi eleito