O dinheiro destinado às apostas online pode comprometer o orçamento familiar e afetar outras áreas da vida, incluindo a educação. Levantamentos recentes apontam que os gastos com bets já aparecem relacionados a decisões de ingresso e permanência no ensino superior privado. As estimativas indicam que cerca de 2 milhões de brasileiros podem ter a trajetória acadêmica afetada pelo comprometimento da renda com apostas.
O número considera dois grupos identificados em uma pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), em parceria com a Educa Insights. Entre os potenciais ingressantes, 986 mil pessoas poderiam deixar de efetivar a matrícula em 2026 em razão dos gastos com apostas.
Entre os estudantes que já estão na graduação, 14% dos entrevistados afirmaram ter atrasado mensalidades ou trancado o curso por causa das apostas.
Considerando que a rede privada de ensino superior reúne mais de 8 milhões de matrículas, a aplicação desse percentual corresponde a mais de 1,1 milhão de estudantes. Somados os dois grupos, a estimativa chega a aproximadamente 2 milhões de pessoas potencialmente afetadas.
Outro levantamento, realizado pelo Instituto Semesp, apontou que 19,1% das instituições privadas pesquisadas afirmaram já ter identificado uma relação entre apostas online e inadimplência de estudantes.
Os dados, no entanto, não indicam que as apostas sejam a única causa das dificuldades financeiras ou da interrupção dos estudos. Fatores como renda familiar, emprego e outras despesas também podem influenciar a capacidade de um estudante de iniciar ou permanecer em um curso superior.
As pesquisas apontam, especificamente, que os gastos com bets podem se somar a essas dificuldades e reduzir os recursos disponíveis para despesas relacionadas à educação.
Quando as bets chegam à graduação
As apostas online podem representar uma dificuldade adicional tanto para o acesso quanto para a permanência no ensino superior, especialmente entre estudantes que dependem de políticas de acesso e financiamento, como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
O impacto pode surgir antes mesmo do início das aulas. Para quem pretende ingressar em uma instituição privada, o comprometimento da renda pode pesar na decisão de efetivar a matrícula. Para estudantes já matriculados, a redução do orçamento disponível pode dificultar o pagamento das mensalidades e de outras despesas relacionadas à formação.
Mesmo com o apoio de bolsas ou financiamentos, os estudantes continuam tendo custos ao longo da graduação. Quando parte da renda é direcionada às apostas, podem sobrar menos recursos para despesas como mensalidades, transporte, alimentação e materiais de estudo.
O comprometimento da renda também pode dificultar situações em que o estudante precisa comprovar sua condição financeira para acessar ou manter benefícios educacionais, sempre de acordo com as regras específicas de cada programa.