Clubes de futebol do Brasil se manifestaram, nesta sexta-feira (25), após o anúncio do governo federal sobre a proibição das casas de apostas, as chamadas bets, no país.
Até o momento, São Paulo, Palmeiras, Vasco e Atlético-GO se posicionaram de forma indireta. Os quatro clubes republicaram conteúdos originalmente publicados por empresas de apostas. Embora sejam plataformas diferentes, as publicações compartilhadas pelos times utilizavam o mesmo layout e traziam a mensagem “proibir não é proteger”.
O conteúdo questiona a eficácia da medida e defende que a proibição, por si só, não seria suficiente para solucionar os problemas relacionados às apostas.
O Fluminense foi, até agora, o único dos clubes a se manifestar diretamente sobre a decisão. Em nota oficial, o clube afirmou que considera legítimo o debate sobre a proibição das apostas, mas defendeu que a discussão leve em conta aspectos como segurança jurídica, efetividade da medida, impactos no esporte e arrecadação pública.
O que diz o Fluminense
Em nota, o clube destacou que empresas que seguiram as regras de regulamentação e os parceiros que firmaram contratos não deveriam ser surpreendidos por uma mudança imediata.
O Fluminense citou, como exemplo, compromissos financeiros assumidos para esta e para as próximas temporadas e afirmou que uma alteração abrupta poderia gerar prejuízos para clubes e outros setores envolvidos.
Sobre a efetividade da proibição, o clube argumentou que o encerramento das atividades das empresas reguladas poderia abrir espaço para o mercado clandestino, sem fiscalização, tributação ou mecanismos de proteção aos apostadores.
A equipe também ressaltou que os recursos provenientes dos patrocínios ligados às apostas não são destinados apenas ao futebol profissional, mas também podem contribuir para categorias de base, futebol feminino e esportes olímpicos.
Outro ponto levantado foi a arrecadação de impostos. Segundo o clube, o mercado regulado gera recursos destinados, conforme previsto em lei, a áreas como esporte, seguridade social, segurança pública, educação e saúde.
O Fluminense defendeu ainda a adoção de um período de transição caso o governo avance com mudanças no setor e afirmou que as decisões deveriam considerar dados e a efetividade das alternativas avaliadas.
Protestos anteriores
Antes do anúncio do governo, clubes e entidades esportivas já haviam se manifestado contra uma eventual proibição das bets.
Na quinta-feira (17), federações estaduais, entre elas a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) e a Federação Paulista de Futebol (FPF), se posicionaram pela manutenção das atividades das casas de apostas regulamentadas.
Na ocasião, os envolvidos classificaram uma eventual mudança como “o fim do futebol brasileiro”.
Clubes como Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG também haviam manifestado apoio à manutenção do mercado regulado de apostas.