A brutalidade, a frieza e a violência praticadas por homens contra companheiras e ex-companheiras continuam impondo enormes desafios para mulheres que tentam escapar do ciclo de agressões. Muitas vezes sob vigilância constante dos agressores, elas recorrem a gestos discretos e criativos para pedir socorro e proteger a si mesmas e aos filhos. Foi o que aconteceu em Ibiporã, no norte do Paraná, onde uma vítima conseguiu denunciar o marido por meio de um prontuário médico.
A mulher procurou atendimento no pronto-socorro do Hospital Cristo Rei apresentando marcas de agressões físicas. Segundo a Polícia Civil, ela chegou à unidade acompanhada pelo marido, que permaneceu aguardando na recepção enquanto ela era atendida.
Durante a consulta, a vítima encontrou uma forma silenciosa de pedir ajuda: escreveu no prontuário médico que estava sofrendo violência doméstica. A mensagem foi percebida por uma enfermeira, que imediatamente acionou a equipe médica e a Polícia Civil.
De acordo com o delegado Vitor Dutra, a mulher contou que vinha sofrendo sucessivas agressões e ameaças de morte. Ela relatou ainda episódios de extrema humilhação, afirmando que o marido a molhou durante a noite e a obrigou a dormir em frente a um ventilador.
Após a denúncia, policiais foram ao hospital e prenderam o suspeito em flagrante. Ele permanece à disposição da Justiça.
O caso evidencia a realidade enfrentada por muitas vítimas de violência doméstica, que, por medo ou por estarem sob controle dos agressores, nem sempre conseguem pedir ajuda de forma direta. Profissionais da saúde, muitas vezes, tornam-se fundamentais para identificar sinais de violência e acionar a rede de proteção.
Embora a maioria dos casos envolva companheiros ou ex-companheiros, a Lei Maria da Penha também protege mulheres vítimas de violência praticada por outros familiares.
As denúncias podem ser feitas por meio da Central de Atendimento à Mulher (Disque 180) ou pelo Disque 100, canal destinado ao recebimento de denúncias de violações de direitos humanos. Os serviços funcionam como portas de entrada para a rede de proteção às vítimas e podem ser acionados de forma gratuita e sigilosa.