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Pesquisadores apoiados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) constataram que o bioma recifal marinho amazônico, localizado na foz do rio Amazonas, tem área de pelo menos 50 mil quilômetros quadrados, o que o torna o maior sistema do gênero no Brasil. O primeiro estudo sobre o novo bioma, publicado em abril de 2016, estimava uma área pelo menos cinco vezes menor.

O resultado da expedição foi divulgado nesta sexta-feira, 24, pela equipe de pesquisadores do Capes – órgão do Ministério da Educação responsável pelo reconhecimento e a avaliação de cursos de pós-graduação em âmbito nacional. O trabalho foi realizado em conjunto com o International Ocean Discovery Program (IODP), que tem o objetivo científico de investigar a história e a estrutura da Terra, a partir de pesquisas oceanográficas.

O programa reúne parte significativa da comunidade científica atuante nas ciências do mar em águas profundas de diversos países. A Capes considera essa participação uma real oportunidade para ampliação da pesquisa e formação de recursos humanos em área estratégica para o país.

A expedição deste ano foi realizada em parceria com a Organização não Governamental (ONG) ambiental internacional Greenpeace, que tem denunciado a ameaça de exploração de petróleo na região do bioma, o que colocaria em risco um ambiente que só agora começa a ser estudado.

“A parceria com o Greenpeace foi fundamental para as descobertas científicas e para o desenvolvimento do conhecimento na região”, contou Fabiano Thompson, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Além de possuir meios flutuantes e equipe de bordo altamente competente, o Greenpeace traz à tona a problemática da produção de energia limpa e renovável no contexto global”, acrescentou o pesquisador. Segundo ele, o uso inédito de submarinos na região da margem equatorial na foz do Amazonas permitiu determinar a estrutura deste novo bioma em outra escala.

Thompson compõe a equipe de pesquisadores juntamente com os professores Eduardo Siegle, da Universidade de São Paulo (USP); Ronaldo Francini, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Nils Asp, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Também contribuíram para o projeto os professores Carlos Rezende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) e Alberto Figueiredo, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Para Thompson, o estudo tem relevância para a realidade brasileira, ao mesmo tempo que nos coloca frente a um paradoxo. “A margem equatorial brasileira (e da Amazônia) é a região mais cobiçada por grandes nações desenvolvidas e, ao mesmo tempo, a região menos conhecida da nossa nação. Nosso entendimento das riquezas e potenciais da margem equatorial é muito reduzido, nos colocando em uma posição desfavorável frente aos desafios globais.”

Desafios, que de acordo com o professor da UFRJ, são compatíveis com as dimensões dos biomas estudados. “Se considerarmos que na realidade, estamos em frente ao maior mega-bioma do planeta, estamos falando da maior floresta do mundo (Amazônia), do maior complexo de mangues do mundo (nas costas do Pará e Amapá) e o maior sistema recifal do Brasil, não há dúvidas que este estudo alerta para o tamanho do desafio. Conhecemos menos de 1% da margem equatorial brasileira. Pretendemos continuar as pesquisas científicas com o apoio da Capes”, conclui.

Fonte – Ministério da Educação

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