Bruxismo infantil pode estar ligado a estresse, ansiedade e problemas no sono

É noite, a criança está dormindo e, de repente, começa aquele barulho conhecido: dentes rangendo. Para muitos pais, o episódio parece apenas uma fase ou um hábito que vai desaparecer com o tempo. Em alguns casos, o bruxismo infantil pode ser acompanhado apenas, sem necessidade de tratamento específico, mas nem sempre.

O comportamento também pode estar associado a outros fatores que merecem atenção, principalmente quando aparece acompanhado de ronco, respiração pela boca, sono agitado ou alterações de humor durante o dia: “O bruxismo infantil é multifatorial.

Isso significa que não existe uma única explicação para a criança ranger ou apertar os dentes durante o sono. Ansiedade, estresse, alterações comportamentais, dificuldades de atenção e alguns hábitos orais, como roer unhas, são observados com maior frequência em crianças com bruxismo.

Refluxo gastroesofágico e o uso de determinados medicamentos também estão entre os fatores descritos.

Ronco e respiração pela boca podem estar relacionados

Um dos pontos que merecem atenção dos pais é a qualidade da respiração durante o sono. Segundo a especialista, alterações como ronco, apneia obstrutiva do sono, aumento das amígdalas e adenoides, respiração pela boca, asma e alergias respiratórias apresentam associação com o bruxismo do sono em crianças.

Por isso, observar apenas os dentes pode não ser suficiente. Uma criança que range os dentes à noite e também ronca, dorme de boca aberta ou apresenta sinais de sono pouco reparador pode precisar de uma investigação mais ampla.

Nem sempre o sinal aparece durante a noite

Como o bruxismo acontece principalmente durante o sono, os pais podem nem perceber o ranger dos dentes. Alguns sinais durante o dia, porém, podem levantar a suspeita de que algo esteja acontecendo durante a noite.

Entre eles estão respiração bucal crônica, sonolência excessiva, irritabilidade, hiperatividade e dificuldade de concentração. A criança também pode apresentar dor de cabeça pela manhã, dor ou cansaço nos músculos usados para mastigar, dificuldade para abrir a boca ou estalos na articulação temporomandibular.

O desgaste dos dentes também pode ser observado. Em alguns casos, a criança pode apresentar hipersensibilidade dentária e dor.

Quando é apenas uma fase?

Nem toda criança que range os dentes precisa de tratamento. Conforme a especialista, quando a criança não apresenta sintomas, comorbidades, dor, desgaste dentário significativo ou impacto na qualidade de vida, a conduta pode ser apenas o acompanhamento e a reavaliação periódica.

A situação muda quando aparecem sinais de prejuízo à saúde ou ao bem-estar. Desgaste importante dos dentes, hipersensibilidade, dor, alterações na articulação da mandíbula ou dores de cabeça associadas ao bruxismo são motivos para avaliação.

Além disso, a identificação de problemas respiratórios, apneia do sono, ansiedade, depressão, alterações do desenvolvimento neurológico ou refluxo exige atenção específica para essas condições.

Assim, mais do que simplesmente tentar fazer a criança parar de ranger os dentes, a investigação deve considerar como ela dorme, como respira e como se comporta durante o dia. Para os pais, observar esses sinais podem ser o primeiro passo para entender se o bruxismo é apenas uma manifestação transitória ou se existe algo além dele que precisa ser investigado.