O senador Camilo Santana (PT) afirmou, em entrevista publicada nesta sexta-feira (22) pela revista Veja, que recebeu com “muita decepção” a aproximação do ex-ministro e pré-candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), com o grupo bolsonarista no Estado.
Ao comentar a nova aliança política construída por Ciro no Ceará, Camilo lamentou o tom adotado pelo ex-aliado e criticou a aproximação com setores ligados ao bolsonarismo.
“Para mim foi uma decepção. Ele dizia que eu era o melhor governador da história do Ceará. Aí, de uma hora para outra, são só ataques, baixarias, uma política rasteira de agredir as pessoas com ódio. Ele se juntou a tudo que era do bolsonarismo, a turma que negou a vacina, que era negacionista em relação à ciência”, afirmou o senador petista.
Camilo disse ainda que pretende manter o debate eleitoral em outro nível durante a campanha de 2026.
“Vamos trabalhar para fazer um bom debate, respeitando as pessoas, sem baixar o nível, sem agredir ninguém, porque a política é feita de propostas”, declarou.
Na entrevista, o senador destacou que o grupo governista chega fortalecido para a disputa estadual, contando com o apoio de partidos como PSB, MDB e Republicanos.
“Temos o apoio de partidos importantes, como o PSB, do irmão dele, Cid Gomes, e de siglas de centro, como Republicanos e MDB”, ressaltou.
Ao comentar pesquisas eleitorais, Camilo minimizou os números iniciais e afirmou que o cenário ainda está em formação.
“Pesquisa é retrato do momento. Quando se olha a sondagem espontânea, apenas 10% da população diz em quem vai votar. Quando são apresentados os nomes, o adversário nosso tem um recall muito grande, é ex-governador, ex-ministro, ex-deputado, um nome conhecido”, observou.
Segundo Camilo, o PT já enfrentou disputas começando em desvantagem e aposta no diálogo com a população ao longo da campanha.
“Temos a única capital do Brasil em que o PT venceu. A campanha é um processo no qual você vai dialogar com a população, mostrar o que fez, e aí ela vai avaliar”, disse.
SEGURANÇA PÚBLICA
Na entrevista à Veja, Camilo Santana também falou sobre a crise na segurança pública e defendeu maior integração nacional no combate ao crime organizado.
Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu governadores para discutir medidas conjuntas de enfrentamento às facções criminosas.
“Nenhum estado vai resolver esse problema sozinho, porque o crime ultrapassou fronteiras, se internacionalizou”, afirmou.
Camilo destacou ainda o projeto de lei antifacção e defendeu o endurecimento da legislação penal, além de maior atuação integrada entre União e estados.
“O Brasil precisa fazer um pacto contra o crime entre todos os Poderes para endurecer as leis e fazer as coisas andarem mais rápido, porque há uma sensação de impunidade”, declarou.
O senador também defendeu ações de inteligência e combate ao financiamento das organizações criminosas.
“A questão da segurança não será resolvida com bravatas, falando alto, querendo ser o xerife de tudo. É preciso né n trabalhar com inteligência, estratégia e cooperação”, concluiu.
