Caminhos da impunidade: Ceará tem apenas 33% dos homicídios esclarecidos e ocupa a 6ª pior posição do país, aponta Instituto Sou da Paz

Foto: Divulgação/SSPDS

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Sou da Paz, com o título ‘’Onde mora a impunidade?’’, aponta que apenas 36% dos homicídios ocorridos no Brasil em 2023 foram esclarecidos até o fim de 2024. Os dados foram divulgados, nessa segunda-feira (7), e retratam, como bem define o título, o tamanho da impunidade de homicídios e latrocínios.
De acordo com a pesquisa, os números representam uma queda em relação ao ano anterior, quando 39% dos autores de assassinatos foram identificados e denunciados à Justiça.

Desde o início da série histórica, em 2015, a média nacional de esclarecimento de homicídios é de aproximadamente 35%, o que mantém o país abaixo dos índices internacionais. O Estudo Global sobre Homicídios da ONU aponta uma taxa média de resolução de 63% no mundo e de 43% nas Américas, evidenciando a dificuldade brasileira em garantir resposta efetiva aos crimes contra a vida.

DISPARIDADES REGIONAIS

O levantamento revela grandes disparidades regionais. O Distrito Federal lidera o ranking nacional com 96% dos casos esclarecidos, enquanto a Bahia ocupa a última posição, com apenas 13%. O Ceará aparece em 6º lugar entre os estados com menor taxa de resolução, com 33% dos homicídios solucionados, ficando à frente de São Paulo, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Bahia.

Pela primeira vez desde o início da série, São Paulo ficou abaixo dos 40% de resolução, enquanto o Rio de Janeiro aparece na penúltima posição, com apenas 23% dos homicídios elucidados.

O Instituto Sou da Paz considera como “esclarecido” o caso de homicídio doloso em que pelo menos um autor é denunciado ao Ministério Público. Mesmo assim, o número é preocupante: nos últimos nove anos, o país registrou uma média anual de 41 mil assassinatos, mas apenas um em cada três casos teve o autor identificado e denunciado.

ATLAS DA VIOLÊNCIA 2024

Outro estudo, o Atlas da Violência 2024, divulgado no primeiro semestre deste ano, reforça a dimensão do problema: o Brasil contabilizou 45.747 homicídios em 2023, o que equivale a mais de cinco mortes por hora. A taxa foi de 21,2 homicídios por 100 mil habitantes — a menor em 11 anos —, mas a maioria das mortes (71,5%) foi provocada por armas de fogo.

O Sou da Paz alerta que a baixa eficiência na elucidação de homicídios também se reflete no sistema carcerário. De acordo com dados do SISDEPEN, apenas 13% dos 670.792 presos no Brasil estão encarcerados por homicídio. A maioria cumpre pena por crimes contra o patrimônio (40%) ou por tráfico e posse de drogas (31%), delitos que são mais suscetíveis a prisões em flagrante.

Para o Instituto, os números refletem uma priorização histórica do policiamento ostensivo em detrimento da investigação qualificada, além da construção de uma cultura de seletividade penal, que define “quem é percebido como perigo a ser combatido” no país.

ÍNDICE DE ESCLARECIMENTO

  1. Distrito Federal: 96%
  2. Rondônia: 92%
  3. Paraná: 72%
  4. Mato Grosso: 71%
  5. Santa Catarina: 65%
  6. Sergipe: 64%
  7. Espírito Santo: 58%
  8. Acre: 51%
  9. Paraíba: 46%
  10. Amazonas: 41%
  11. Roraima: 40%
  12. Ceará: 33%
  13. São Paulo: 31%
  14. Pernambuco: 30%
  15. Piauí: 23%
  16. Rio de Janeiro: 23%
  17. Bahia: 13%