O câncer de mama é resultado do crescimento anormal de células na região mamária. Embora seja mais comum entre mulheres, a doença também pode afetar homens, que representam cerca de 1% dos casos. Um desses casos é o do empresário Mário Fiorentino, pai da modelo e apresentadora Isabella Fiorentino, diagnosticado em 2014.
Durante o banho, Mário notou um nódulo no peito esquerdo e pediu que a esposa — médica — examinasse o local. “Ela não quis me alarmar, mas percebeu que podia ser algo ruim e marcou imediatamente uma consulta com o oncologista”, relembra o empresário, hoje com 83 anos.
O diagnóstico veio rápido e o tratamento, mais rápido ainda: em menos de uma semana, Mário passou por cirurgia. “Foi tudo muito intenso. Imagine o medo de enfrentar uma cirurgia sem saber a real extensão da área afetada. Fiquei paralisado e precisei de muito apoio para seguir em frente”, conta.
A fase mais difícil, no entanto, veio depois. A quimioterapia trouxe queimaduras e danos nas veias, exigindo meses de reabilitação. “A cirurgia em si eu não senti nada, mas os cinco anos seguintes foram de muita luta. O apoio da família foi essencial. Depois do câncer, a gente perde o chão — mas também aprende a ser mais humano”, diz emocionado.
A experiência levou Mário a criar um grupo de apoio a homens com câncer de mama, com o objetivo de desmistificar a ideia de que a doença é exclusiva das mulheres. “As pessoas mais esclarecidas sabem que o câncer de mama também pode atingir homens, mas ainda há muita desinformação”, afirma.
Segundo o oncologista Márcio Almeida, fatores genéticos, hormonais e ambientais estão entre as causas da doença. “Nos homens, os sinais mais comuns são nódulos próximos ao mamilo, alterações na pele, feridas que não cicatrizam, secreções e aumento dos gânglios na axila. Qualquer mudança deve ser avaliada por um médico, especialmente quando há histórico familiar”, alerta.
O tratamento segue os mesmos princípios aplicados às mulheres, combinando cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia. “Muitos tumores masculinos também respondem aos hormônios femininos, por isso o tratamento é semelhante”, explica Almeida.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país registra anualmente mais de 70 mil novos casos entre mulheres e cerca de 800 entre homens. Quando o diagnóstico é feito no início, as chances de cura podem chegar a 95% — o desafio é o diagnóstico precoce, ainda raro entre pacientes do sexo masculino.
📸 Retratos da superação
Histórias como a de Mário Fiorentino integram a exposição “A Jornada”, organizada pela ONG Recomeçar, em parceria com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal. A mostra faz parte da programação do Outubro Rosa 2025 e será exibida em espaços públicos do Distrito Federal, incluindo o Senado Federal, a Câmara Legislativa, a Rodoviária de Brasília e a Câmara dos Deputados.
Mais do que uma homenagem, “A Jornada” é um convite à conscientização: o câncer de mama não tem gênero — e o diagnóstico precoce salva vidas.
