Cão Orelha: grupo tentou afogar outro cachorro na Praia Brava, em Florianópolis

De acordo com a Polícia Civil, o grupo de adolescentes que espancou o cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis (SC), também teria tentado afogar outro cachorro comunitário, o Caramelo, no mesmo local. A delegada Mardjoli Valcareggi informou que há imagens dos jovens pegando o animal no colo. Testemunhas relataram que viram o grupo jogando o cão no mar. O animal conseguiu escapar e, após o episódio, foi adotado.

O caso da morte do cão Orelha

A morte do cão Orelha, espancado provocou comoção nacional e levou à abertura de uma investigação que ganhou desdobramentos nos últimos dias. A Polícia Civil de Santa Catarina apura não apenas a ação, praticada por quatro adolescentes, mas também adultos, que são acusados de coação a testemunhas, e uma tentativa de homicídio contra um outro cachorro da região.

Orelha era um cão comunitário que vivia havia cerca de dez anos na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis. Considerado um mascote do bairro, era alimentado diariamente por moradores e comerciantes e circulava livremente por toda a região. Ele dividia aquele espaço com outros cães, que contavam com casinhas e cuidados espontâneos da população local.

O caso veio à tona no último dia 16, quando moradores relataram o desaparecimento do cachorro. Quarenta e oito horas depois, uma das pessoas que cuidavam de Orelha o encontrou caído em uma área de mata, gravemente ferido e agonizando. O animal foi levado a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade das lesões, os profissionais optaram pela eutanásia. A suspeita é de que Orelha tenha sido espancado a pauladas.

A Polícia Civil identificou quatro adolescentes como suspeitos de praticar os maus-tratos que levaram à morte do cão. Dois deles estão em Florianópolis e foram alvos de mandados de busca e apreensão na segunda-feira. Os outros dois estão nos Estados Unidos, em viagem previamente programada, segundo a corporação.

Celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos e passarão por perícia. O inquérito tramita sob sigilo por envolver menores de idade. A morte de Orelha gerou protestos nas redes e nas ruas. Moradores e ativistas pediram punição aos responsáveis. Manifestações foram realizadas no local onde o cão vivia.

Parentes indiciados por coação a testemunhas

A Polícia Civil indiciou três adultos suspeitos de envolvimento em ações de coação no processo que investiga a morte do cão Orelha. Segundo o g1, a informação de que um policial civil, pai de um dos suspeitos, teria coagido uma testemunha está sendo investigada.

A delegada responsável pela investigação, Mardjoli Valcareggi, afirmou que essa denúncia está sendo analisada, mas negou que haja qualquer envolvimento de um policial no crime em si.

— O mandado contra o adulto buscava localizar uma arma supostamente usada para ameaçar uma testemunha. No entanto, não encontramos essa arma, apenas certa quantidade de drogas. Há indícios de que quatro adolescentes tenham praticado as agressões contra o cão, e três adultos estariam envolvidos na coação durante o processo — informou o delegado delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.

Defesa pede ‘responsabilidade'

Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, que representam dois dos adolescentes investigados pela morte do cachorro Orelha pediram cautela e responsabilidade no compartilhamento de imagens e informações sobre o caso. Em nota divulgada ontem, a defesa afirma que a exposição de menores de idade nas redes sociais viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e tem alimentado um “linchamento virtual” contra os jovens e suas famílias.