A morte da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 39 anos, está sendo investigada pela Polícia Civil de Minas Gerais. A oficial foi levada já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite desta segunda-feira (20), e o marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, foi preso em flagrante por suspeita de envolvimento no caso.
Segundo o boletim de ocorrência, Michele deu entrada na unidade hospitalar por volta das 21h35, já sem sinais vitais. A equipe médica constatou que ela apresentava múltiplas lesões pelo corpo, entre elas traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nas pernas, marcas lineares compatíveis com chicotadas e um profundo corte na região frontal da cabeça.
Os médicos informaram ainda que, pelas condições observadas, a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital, o que levou ao acionamento imediato da Polícia Militar diante dos indícios de violência.
Versão apresentada pelo sargento
Em depoimento, o sargento Eduardo afirmou que, na noite anterior, o casal realizou uma confraternização em casa, onde teria consumido bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy.
Segundo ele, após a saída dos convidados, os dois mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. O militar também declarou que Michele teria caído de uma escada por volta do meio-dia, sofrendo um corte na cabeça e outros ferimentos.
Ainda conforme sua versão, ele realizou os primeiros socorros, deu banho na esposa, conteve o sangramento e a colocou para descansar. Disse ainda que Michele recusou atendimento médico por estar constrangida em razão do consumo de drogas. O sargento afirmou que ambos dormiram durante a tarde e que, ao acordar à noite, percebeu que ela não respondia aos estímulos, decidindo então levá-la ao hospital.
Ecstasy apreendido no hospital
O boletim de ocorrência relata que, enquanto aguardava atendimento no hospital, Eduardo pediu para ir ao banheiro e, acompanhado por um policial, foi visto descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira.
No interior do recipiente foram encontrados comprimidos com características semelhantes ao ecstasy. O próprio sargento admitiu ter jogado o material fora. A substância foi apreendida e será submetida à perícia.
Família relata histórico de relacionamento abusivo
A mãe da capitã afirmou aos investigadores que considerava o relacionamento da filha abusivo e marcado por controle psicológico. Segundo ela, Michele vivia sucessivos términos e reconciliações com o marido.
A familiar contou que tinha um encontro marcado com a filha na manhã de segunda-feira, mas Michele cancelou o compromisso. Depois disso, não respondeu às mensagens enviadas ao longo do dia.
Ainda conforme o depoimento, a mãe afirmou que passou a suspeitar do uso de drogas pela filha apenas após o início do relacionamento com o sargento. Ela também relatou ter sido informada por outra filha de que Michele pretendia encerrar o casamento e que, em uma discussão anterior, Eduardo teria chegado a sacar uma faca.
Perícia recolhe provas
Durante a perícia no apartamento do casal, os investigadores apreenderam um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, que poderá ser submetido a exames para verificar eventual relação com o crime.
Também foram recolhidas roupas de cama lavadas que estavam na máquina de lavar, além do veículo utilizado para transportar Michele ao hospital. O celular do sargento e os comprimidos apreendidos também passarão por perícia.
O corpo da capitã foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde será submetido a exame de necropsia. A causa da morte será definida pelos laudos periciais.
