A Polícia Federal identificou, no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes no Banco Master, 40 perfis de influenciadores e jornalistas que foram usados para atacar o Banco Central por meio das redes sociais. De acordo com as diligências, as pessoas cooptadas recebiam até R$ 2 milhões para integrar a rede criminosa.
A partir da lista, a PF apura agora quem sabia de fato que estava assinando contrato para perpetuar ataques ao órgão e quais foram ameaçados ou intimidados para participar do esquema. A informação foi revelada pelo jornalista Elijonas Maia, da CNN Brasil, e confirmada pelo Correio junto a fontes na corporação.
Entre os perfis, de acordo com fontes ligadas ao caso, estão páginas com milhões de seguidores, jornalistas, especialmente atuantes no meio digital e influenciadores. Quem não aceitava participar, depois de ter conhecimento do funcionamento do sistema de ataques coordenados, era ameaçado. A PF afirma que o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do jornalista Leo Dias, tinha papel central na coordenação dos ataques.Play Video
Miranda foi alvo da 10ª fase da Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (9/7). Na decisão que autorizou as buscas contra o comunicador, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, destacou o alto grau de periculosidade da organização criminosa que tem “contornos de máfia”.
“Os elementos analisados apontam que Thiago Miranda desempenhava papel central nessas iniciativas, sendo o principal responsável por realizar pesquisas e levantamentos acerca da vida privada da jornalista em questão. Ainda de acordo com as conversas analisadas, Thiago Miranda costumava informar o andamento das buscas, relatar sobre a análise de processos judiciais antigos e coordenar a mobilização de equipe dedicada a localizar informações que pudessem ser consideradas sensíveis ou comprometedoras para a jornalista”, afirmou Mendonça no despacho.
A PF afirma que Miranda agiu para “proteger o núcleo dirigente da organização criminosa; manipular a opinião pública; coagir, intimidar e violar dados sigilosos de jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central”. A investigação também aponta que, “para o cometimento dos crimes objeto da nova frente investigativa, foram utilizados recursos econômicos provenientes do esquema de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master, com a finalidade de promover campanhas de desinformação na mídia, tradicional e digital”.
A defesa de Thiago Miranda afirma que ele atuava de maneira legal e nega qualquer envolvimento do cliente com fraudes ou intimidação de profissionais.
