O menino Oliver Golden Grayson, de 3 anos, morreu após sofrer agressões tão graves que chegaram a deslocar o coração e achatar o crânio. As informações foram divulgadas pela delegada Luana Tamiozzo Medeiros, da Polícia Civil, responsável pela investigação do caso. A criança morreu na noite de quarta-feira (9), após permanecer internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre.
Segundo a delegada, o homicídio foi praticado com “inúmeras e gravíssimas lesões”, incompatíveis com a versão de que a mãe não teria percebido as agressões. Para a Polícia Civil, a violência empregada foi de tal intensidade que “não é crível” imaginar que ela não tenha ouvido o espancamento ou tentado impedir o pai.
O crime ocorreu na manhã de domingo (5), em Viamão. Conforme a investigação, o pai da criança, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, confessou ter agredido o filho. Inicialmente, o caso foi registrado como tentativa de homicídio duplamente qualificado, mas passou a ser tratado como homicídio após a confirmação da morte cerebral de Oliver.
Na quinta-feira (9), a Polícia Civil também prendeu preventivamente a mãe da criança, uma mulher de nacionalidade japonesa. De acordo com a investigação, ela é suspeita de participação por omissão no homicídio e também responde pelas suspeitas de tortura contra os filhos.
As investigações apontam que Oliver não era a única vítima de violência. Os outros quatro filhos do casal, com idades de 1, 5, 7 e 9 anos, apresentavam lesões e passaram por perícias físicas e psicológicas. As crianças foram retiradas da família, acolhidas em local protegido e são acompanhadas pelo Conselho Tutelar de Viamão.
Conforme a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, a família vivia sob uma rotina constante de agressões físicas e psicológicas, justificadas pelos pais como forma de disciplina baseada em convicções culturais e religiosas. A investigação identificou que castigos severos eram aplicados com frequência.
A Polícia Civil também descobriu que a família possui histórico de violência em outros estados. Há registros policiais em Santa Catarina e São Paulo, além de atendimentos dos Conselhos Tutelares. Em um dos casos, registrado em 2024, na cidade paulista de Águas de Lindóia, uma das crianças teria sido agredida com uma cinta pela mãe, apresentando diversas marcas pelo corpo.
Segundo a investigação, o casal deixou os Estados Unidos há cerca de nove anos e passou por diferentes estados brasileiros antes de se estabelecer em Viamão, onde vivia havia aproximadamente sete meses. Além de Oliver, todos os outros filhos nasceram no Brasil. A família sobrevivia com doações e auxílio de integrantes de uma comunidade religiosa. Embora Dandre se apresentasse como missionário evangélico, a Polícia Civil afirma que ainda não foi possível confirmar a qual igreja ele estaria vinculado.
Apesar das suspeitas contra a mãe, a Polícia Civil informou que também apura indícios de que ela possa ter sido vítima de violência doméstica praticada pelo companheiro. Essa linha de investigação seguirá paralelamente ao inquérito principal.
O caso continua sendo investigado pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Viamão. O pai permanece preso preventivamente e a mãe também foi encaminhada ao sistema prisional após o cumprimento do mandado de prisão.
