Cerca de 30% da população adulta brasileira convive com a hipertensão arterial, uma condição silenciosa que, muitas vezes, evolui sem sintomas aparentes até desencadear quadros graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal.
Dados analisados pelo Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, que investigou a morbimortalidade por hipertensão no Brasil entre 2006 e 2023, ajudam a dimensionar o impacto do problema. O levantamento aponta que, globalmente, a hipertensão está associada a cerca de 10,4 milhões de mortes por ano e a 218 milhões de anos de vida perdidos por incapacidade.
No Brasil, o estudo mostra que 6% de todos os óbitos registrados entre 2010 e 2023 tiveram relação com a hipertensão. Dentro desse grupo, 8,9% foram classificados como antecedentes ou condições associadas ao quadro que levou diretamente ao falecimento.
AVANÇO DA MORTALIDADE
A análise histórica também indica um avanço na mortalidade relacionada à doença ao longo do período. A taxa passou de 183,5 óbitos por 100 mil habitantes em 2010 para 211,5 por 100 mil habitantes em 2023, com índices consistentemente mais elevados entre homens do que entre mulheres.
DIAGNÓSTICO TARDIO
Apesar das campanhas de conscientização, especialistas apontam que o diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios no controle da doença no Brasil.
Na atenção primária à saúde, por exemplo, a proporção de pacientes cadastrados com hipertensão passou de 17,9% em 2019 para 22,2% em 2023, indicando um aumento significativo de casos identificados nos últimos anos.
Por outro lado, estudos epidemiológicos mostram que a prevalência tende a crescer com a idade, chegando a afetar mais da metade da população acima dos 65 anos.
A hipertensão é mais frequente em pessoas com menor nível de escolaridade e menor acesso a acompanhamento médico regular, o que amplia desigualdades no cuidado com a saúde.
