Cerco à intolerância: Ministério da Justiça aciona PF após ameaças de morte e estupro contra deputada eleita

Foto: Divulgação/PF

O Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu à Polícia Federal, nesta sexta-feira (8), a abertura de investigação sobre ameaças de morte e estupro dirigidas à deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG). A iniciativa amplia o cerco a manifestações de intolerância, misoginia, preconceito e ataques de ódio disseminados pelas redes sociais.

Segundo o ministério, Ana Elisa relatou estar recebendo ameaças em ritmo intenso, chegando a uma mensagem a cada dois minutos. Diante da escalada dos ataques, a parlamentar eleita decidiu desativar seu perfil na plataforma X.

O pedido de investigação foi encaminhado ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por meio de ofício assinado pela secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila Santana de Carvalho.

No documento, o Ministério da Justiça solicita a abertura de inquérito para identificar os responsáveis pelas ameaças e pede ainda que a PF cobre providências das plataformas X e Meta para interromper a circulação dos ataques.

De acordo com a pasta, as mensagens estariam relacionadas ao posicionamento político da deputada eleita e podem configurar crimes previstos na legislação penal. O ministério destaca também a competência federal para investigar crimes cometidos pela internet envolvendo conteúdo misógino.

“Solicito a Vossa Excelência que adote as providências cabíveis, dentre elas, a abertura de inquérito para investigar a prática desses crimes”, afirma o ofício.

ONDA DE ATAQUES

A onda de ataques ocorre no momento em que Ana Elisa passou a participar mais diretamente da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na quarta-feira, ela esteve em uma reunião com Lula e outras lideranças jovens da esquerda para discutir o reforço da atuação digital no segundo turno.

No dia seguinte, parlamentares ligados ao bolsonarismo começaram a divulgar supostas publicações antigas atribuídas à deputada eleita. Ana Elisa afirmou que parte desse conteúdo seria falsa e anunciou que pretende encaminhar o material ao Tribunal Superior Eleitoral.

“Vou mandar para o TSE, porque fake news é crime eleitoral. Precisamos suspender sua diplomação e de todos que estão publicando esse tipo de conteúdo”, declarou.

Entre os parlamentares que repercutiram as publicações esteve o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

A investigação solicitada pelo Ministério da Justiça deverá buscar esclarecer a autoria das ameaças, a eventual existência de atuação coordenada e a responsabilidade de perfis envolvidos na disseminação das mensagens.

Ana Elisa foi eleita no último domingo com 524.216 votos, segundo os números fornecidos, alcançando a segunda maior votação para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais. Com o resultado, tornou-se a mulher mais votada da história do estado para o cargo e a deputada federal mais jovem já eleita no país.